19 de jan de 2015

Histórias Extraordinárias (Edgar Allan Poe) @ciadasletras

Histórias Extraordinárias (Edgar Allan Poe)
Ed. Companhia de Bolso
Ano de publicação: 2011
Compare & Compre


Dizer que Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um gênio sem ter lido toda a obra dele, ou boa parte dela, é arriscado. Mesmo assim, quem se aventura a ler a coletânea “Histórias Extraordinárias”, editada pela Companhia das Letras e publicada em 2011, chega ao fim dela e ousa dizer tal coisa.

No livro de bolso, 18 contos do mestre do terror estão reunidos. Estão lá os mais conhecidos, como O gato preto (1843) e Wiliam Wilson (1834). Mas como nem só de terror vive o homem, a coletânea reúne textos engraçados  como O sistema do doutor Alcatrão e do professor Pena (1845) e policialescos  como *A carta roubada (1844).

O que o livro apresenta para os leitores é a maestria de Poe em se aventurar nos estilos. Ele não foi o pai do terror, mas, de certa forma, o reinventou. Deixou de lado os monstros e os vampiros para revelar que, na realidade, os monstros estão internos em nós. Esse é o caso do conto Wiliam Wilson, no qual o protagonista enfrenta uma pessoa igual a ele em tudo.

Sem tentar parecer erudito, o autor – conhecido, também, pelo poema O corvo(1845)  – buscava entreter leitores e ganhar dinheiro com o que escrevia. Por isso, comparações com outros autores, desprezando o que Poe fez e o marginalizando, é quase um pecado.

Entretanto, podemos ler A máscara da morte rubra (1842) como uma alegoria nos modelos de autores contemporâneos. Num determinado lugar, uma doença mata a toda a população. Vendo isso, o príncipe Próspero cria um local onde apenas pessoas sem nenhum problema de saúde poderiam entrar, imaginando que isso foi evitar a morte dos “escolhidos dele”.  Lá, durante uma festa, a morte chega e acaba com todos.

“E, um a um, caíram os foliões nos ensanguentados salões da orgia, e morreram, conservando a mesma desesperada queda. [...] E a Escuridão, a Ruína e a Morte Rubra estenderam seu domínio ilimitado sobre tudo.” (Pag. 131.)

De certa forma, somos assim. Enquanto estamos felizes, num lugar qualquer, imaginamos que a morte só vai ao encontro dos outros, não da gente. Um erro muito bem exposto por Edgar Allan Poe.
Em Pequena Palestra com uma múmia (1845) – que muito me lembrou Uma visita de Alcibíades, de Machado de Assis – os diálogos de intelectuais com uma múmia egípcia que voltou à vida são hilários. Os homens tentam mostrar que o momento em que vivem é melhor que o passado. Cada argumento é refutado pela múmia com justificativas que os convencem. Ao final do conto, diz o narrador:

“A verdade é que estou absolutamente convencido de que tudo vai mal. Além disso, anseio por saber quem será o presidente em 2045. Portanto, tão logo acabe de barbear-me e de engolir uma xícara de café, irei à casa de Pononner fazer-me embalsamar por uns duzentos anos.” (Pag. 47).

Destacam-se ainda A queda da caixa de Usher (1839), O caixão quadrangular (1844), O coração delator (1843), O escaravelho de ouro (1843) e O homem na multidão (1840). Todos esses merecem uma resenha particular. Quem sabe no futuro, né?

Edgar Allan Poe
A coletânea da Companhia das Letras serve como uma apresentação de Edgar Allan Poe aos leitores. Quem lê-la vai querer ler mais. Ainda bem.

Por outro lado, o livro, por reunir contos com estruturas “semelhantes” muito próximos uns dos outros, dá a impressão de repetição de Poe. Algo que, de certa forma, não está errado. Mas, levando em conta que os contos são de anos diferentes e de publicações diferentes, isso é um detalhe.


* Em tempo: Edgar Allan Poe é considerado o pai das historias policiais na literatura. Arthur Conan Doyle e Agatha Christie forma influenciados por ele.

Em tempo 2: Hoje(19 de janeiro de 2015), se vivo estivesse, Edgar Allan Poe completaria 206 anos.

 Feliz aniversário!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por comentar, Caçador(a)!
Volte Sempre!

Para postar links nos comentários, utilize o espaço correto:
1- Clique em Comentar Como:
2- Selecione a opção Nome/Url
3- Em nome, coloque o seu nome ou nick das redes sociais.
4 - Em Url, coloque o link do seu blog ou página das redes sociais.

Pronto, assim você comenta e ainda coloca os seus dados, sem fazer spam.

Para dúvidas, sugestões ou solicitação de informações, encaminhe email para: c.delivros@gmail.com

Caçadora de Livros. Todos os direitos reservados.©
Design e codificação por Sofisticado Design