15 de set de 2014

[Resenha] Tia Julia e o escrevinhardor (Mario Vargas Llosa)



"Tia Julia e o escrevinhador" (1977)
Ed. Alfaguara
360 páginas


Ler “Tia Julia e o escrevinhador” foi uma boa experiência.  O romance do peruano Mario Vargas Llosa, publicado em 1977, é baseado na própria vida do autor.

A história se passa na década de 1950. Vargas Llosa, aos 18 anos, se apaixona por Julia, uma mulher de 32 anos, irmã da esposa do tio dele. O amor entre pessoas de idades tão diferentes é o fio condutor da história.

Durante todo o livro, Llosa abre o coração aos amigos mais próximos sobre o amor que sente por Julia. Um amor que nasceu da brincadeira, quando iam juntos ao cinema. Um amor que, para ele, não deveria ter nascido. Mas que, como já nasceu, deveria viver. E muito!

Tia Julia é uma mulher divorciada. Foi para Lima para encontrar um novo amor. Ela despertou o interesse de muitos. Mas foi Varguitas que a conquistou.

Além de tê-la conquistado, ele também conquistou a ira de alguns membros da própria família. Mas e daí? O amor falou mais alto e, entre encontros secretos, fuga e beijos, eles ficam juntos.

Cursando Direito, o sonho do peruano era se tornar escritor. À época, trabalhava na rádio Panamericana. E foi por causa do rádio que teve contato, de fato, com uma espécie de escritor.

Foi em uma rádio que Llosa conheceu Pedro Camacho, um boliviano autor de novelas que, diga-se de passagem, era maluco. No bom sentido, claro. Viciado em trabalho, Camacho não descansava nunca. Vivia para escrever e escrevia para viver.

Ele trabalhava exaustivamente. Tanto que, num determinado momento, começou a confundir os próprios personagens – o que lhe foi fatal.

Mas e tia Julia? Não, ela não sumiu. Já voltaremos a ela. É que o livro se alterna entre ela e o escritor de novelas. Mais que isso. No romance, existem capítulos das novelas de Camacho. Neles, mistério, amor e humor se misturam.

Em todo o romance, o ar latino-americano é perceptível, seja pelas passagens de Lima descritas pele autor, seja pelas bebidas ingeridas pelos personagens.

Apesar de, de fato envolver amor, o romance não é um livro “bobinho”. É bem escrito e divertido. Um momento engraçado é quando Mario vai conhecer uma sessão espírita.

“Pedi ao escrivão [nesse caso, o médium]  que  chamasse  meu  irmão  Juan  e, surpreendentemente (uma vez que nunca tive irmãos), ele veio e mandou me dizer , pela benigna  voz  do médium,  que  eu  não  devia me  preocupar  com  ele  porque  estava  com Deus  e que  sempre  rezava por mim. Tranquilizado  com  essa notícia, me despreocupei com a  sessão e me dediquei a escrever mentalmente meu  conto  sobre o  senador.”

Apesar de não ser genial, “Tia Julia e o escrevinhador” é um bom passatempo para quem gosta de ler. É, também, um encontro certo com o clima da América-latina dos anos 1950. Uma espécie de prova de que bons livros não precisam ser escritos para impressionar apenas intelectuais.

P.S.: Aos que desconhecem o autor, Mario Vargas Llosa faturou o Nobel de Literatura em 2010.

Até a próxima.

Victor Simião

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