1 de mai de 2014

Crônica de uma morte anunciada (Gabriel Gárcia Márquez)

Crônica de uma morte anunciada (1981)
Editora Record
176 páginas
Preço médio: R$ 35


A triste notícia de que Gabriel García Márquez morreu há poucos dias ainda abala os amantes da boa literatura. Fãs de Gabo ou não, quem gosta de ler sabe que o mundo perdeu um dos maiores escritores de todos os tempos.

A morte sempre esteve presente nos livros dele. Inclusive, na primeira página da novela Crônica de uma morte anunciada, publicada em 1981.

- Mas como assim, na primeira página?!!!! – você deve estar se perguntando. – Como ele entrega desfeche do livro assim, de primeira?!


Aí entra a genialidade de García Márquez. O restante da novela é o antes e o depois da morte de Santiago Nassar.

O personagem, na lira de seus 20 anos, morre a facadas pelos irmãos Pedro e Pablo Vicário. O motivo? Ele supostamente desvirginou Ângela Vicário, uma moça que permaneceu casada por menos de uma noite, pois o marido dela, o rico  Bayardo San Román, na hora de realizar o ato abençoado por Deus, descobriu que ela já havia se deitado com outro homem.

Por isso, os irmãos dela queriam honrá-la. E decidiram matar o acusado. E avisaram toda a cidade. Ou melhor, quase toda.

O assassinato aconteceu após a festança de casamento de Ângela e Bayardo. Quem nos conta a história, que mais parece um relato jornalístico, é um narrador onisciente, que conversou com muitas pessoas e reconstruiu o dia do crime após quase 30 anos.

No relato dele, descobrimos que ele mesmo, Santiago e os irmãos Vicário haviam passado a noite festando juntos, após o casamento. Também ficamos sabendo que, no dia da morte de Santiago, todos sabiam da morte dele. Exceto ele.

Isso porque Pedro e Pablo avisaram a cidade toda. O padre ficou sabendo, o prefeito ficou sabendo, muitas outras pessoas ficaram sabendo. Mas cada uma delas, por algum motivo, não informou Santiago.
O destino dele era morrer, sendo culpado ou não...

O fantástico/mágico na obra
Como é característico na obra de Gabo, fatos mágicos não passam despercebidos.
Um desses fatos eram os sonhos de futuro morto. Durante alguns dias, ele sonhou com árvores e passarinhos. A mãe de Nassar, que interpretava sonhos, não deu muita importância e não pode prever que ele iria morrer.

Outro é que, após o assassinato de Santiago, quem esteve direta ou indiretamente envolvido, sentiu o cheiro dele por um tempo, como se ele tivesse ido embora, mas o espírito, o fantasma, ou coisa assim, continuasse por ali.

Seria o cheiro da culpa pela morte anunciada não ter sido anunciada a ele?


De leitura simples, Crônica de uma morte anunciada mostra, em poucas páginas, porque Márquez foi tão aclamado pela crítica. Misturando a concisão jornalística, o fantástico e doses de ironia, o livro serve para nos mostrar que sabermos os pormenores de um desfecho de algo já conhecido é importante. Mais ainda quando um bom contador de história nos relata o fato.

 Partindo para uma reflexão mais crítica, mostra-nos também que você pode ser culpado ou não do que fez. Basta que a tal verdade seja a verdade para um determinado tipo de pessoas.

Isso nos lembra o fanatismo de alguns grupos contemporâneos, não?!


Grácias, Gabo! (1927-2014)



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por comentar, Caçador(a)!
Volte Sempre!

Para postar links nos comentários, utilize o espaço correto:
1- Clique em Comentar Como:
2- Selecione a opção Nome/Url
3- Em nome, coloque o seu nome ou nick das redes sociais.
4 - Em Url, coloque o link do seu blog ou página das redes sociais.

Pronto, assim você comenta e ainda coloca os seus dados, sem fazer spam.

Para dúvidas, sugestões ou solicitação de informações, encaminhe email para: c.delivros@gmail.com

Caçadora de Livros. Todos os direitos reservados.©
Design e codificação por Sofisticado Design