10 de mar de 2014

Memorial do convento (José Saramago)



Memorial do convento
Livro enviado pela Companhia das Letras
408 Páginas
Preço sugerido: R$ 49

Duas histórias em um único romance. Uma importante, mas nem tão bela; outra menos importante, mas, ao meu ver, uma das mais lindas histórias escritas no século 20. Esse é Memorial do convento, livro publicado em 1982 por José Saramago. Como todo grande romance, essa obra não pode ser reduzida a apenas duas frase.

Nesse livro, considerado por alguns como romance histórico (por ter fatos verídicos como pano de fundo) e por outros como fantástico (por ter elementos que fogem do “normal”), Saramago nos apresenta, entre outros personagens,  o casal Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, além do padre Bartolomeu Lourenço Gusmão, que  nasceu no Brasil e realmente existiu.


Baltasar Sete-Sóis é um ex-militar que perdeu a mão esquerda em um combate e, desde então, usa um espigão na mão (uma espécie de adaga). Blimunda Sete-Luas é uma mulher que tem o poder de ver por dentro das pessoas. Quem deu o sobre nome dela a ela foi o padre Bartolomeu, um intelectual da corte portuguesa que sonha em voar um dia, mesmo que os outros tirem sarro dele por isso.

O pano de fundo para o Memorial, cuja história se passa no século 17, época em que Portugal era um país extremamente católico e a inquisição perseguia “bruxos” e judeus, é a construção de um  convento em Mafra. O local é construído porque o rei D. João V fez uma promessa a um frade franciscano de que, se a rainha Maria Ana engravidasse, ele iria realizar tal construção. E ela engravida. De uma menina.

Nesta obra de José Saramago, a história da realeza perde o espaço para o amor de Baltasar e Blimunda.  
Enquanto homens são descolados para a construção do convento, o padre Bartolomeu constrói, em segredo, uma passarola: uma espécie de “balão” voador. Ele pede ajuda a Baltasar e Blimunda, para que eles o ajudem na construção do objeto e para que eles, quem sabe um dia, voem. Por isso o casal sai de Mafra, onde viviam, e vão morar em Lisboa.

Para que a máquina possa subir ao céu, segundo o padre, é necessário que ela seja preenchida com éter: que neste caso, é a vontade que cada ser humano tem dentro de si. Blimunda fica responsável por retirar a “vontade” das pessoas, já que ela pode ver por dentro delas.

Enquanto o convento não fica pronto, Bartolomeu se questiona a respeito de Deus. As reflexões feitas por ele causam grande mudança na própria vida, já que ele deixa de ser padre e se torna judeu. A inquisição, então, passa a persegui-lo.  Por esse motivo, o ex-padre decide fugir. Para isso, quer voar com a passarola, ao lado do casal Sete.

A passarola sobre, e eles voam de Lisboa  e aterrissam em Serra do Barrigudo, uma região próxima à Mafra. Mas, por algum motivo, ao aterrissar, ter voado não deixa o ex-padre feliz, que, primeiro, tenta destruir a máquina; depois, vai embora e morre nos anos seguintes,  na Espanha.

Após o sumiço do ex-padre, Baltasar e Blimunda decidem voltar a Lisboa. Eles deixam a máquina escondida. Os anos passam, o convento fica pronto, e num certo dia, Sete-Sóis vai ver a máquina. Sem querer, levanta voo com ela.

E some no mundo.  

Durante anos Blimunda o procura. Após nove anos, ela encontra Baltasar em Lisboa. Na capital portuguesa, ela tem uma surpresa ao ver o marido. Uma surpresa que os une ainda mais.  


Memorial do convento, romance escrito por Saramago em 1982, publicado aqui no Brasil primeiramente pela editora Bertrand Brasil e, no ano passado, relançado pela Companhia das Letras, é um dos mais belos livros escrito pelo autor.

Apesar de aparentemente ser um livro com uma história não muito extraordinária, ao lermos as páginas do livro, Saramago nos mostra o quão ruim era viver sob o poder quase infinito da igreja, como uma ideia pode mudar o mundo, e como o amor faz toda a diferença – afinal de contas, não é todo dia que o sol e a lua se unem.

Como só ele sabe fazer, há poesia nas palavras ali escritas, principalmente quando envolve o amor de Baltasar e Blimunda. Por outro lado, há a ironia ao descrever o clero e a realeza, como se o autor quisesse mostrar que, enquanto eles se acham importantes, outras pessoas é que realmente fazem a diferença. E o mais importantes: são pessoas simples.





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