18 de nov de 2013

Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo (Mário Magalhães)

Marighella - O Guerrilheiro que incendiou o mundo (2012)
Ed. Companhia das Letras (livro enviado pela editora)
784 Páginas
Preço sugerido:  R$ 56,50

Confesso que recebi esse livro no começo do ano. Confesso que comecei a lê-li assim que o recebi. Confesso que parei a leitura. Confesso que, há dois meses, o reli. Confesso que, coincidentemente, ou não, esse é um dos melhores momentos para se falar aqui no blog sobre o livro, afinal de contas, há muitas polêmicas em torno das biografias, não?


Mas essa é uma outra discussão. Vamos à resenha - afinal de contas, há muito que estou devendo-a!
Enquanto Roberto Carlos, Chico Buarque e outros figurões da MPB discutem - e se confundem - sobre o que pensam a respeito das próprias biografias, Mario Magalhães, autor de Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo (Companhia das Letras, 2012), deve comemorar – e com razão – o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria Biografia,  que recebeu neste ano.

O autor, jornalista com passagens pelos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, trabalhou durante nove anos para escrever o calhamaço de mais de 700 páginas, rico em imagens e fontes, contando a vida de um dos personagens mais intrigantes do século 20: Carlos Marighella.

Neto de escravos, admirados por estudantes, revolucionários e  intelectuais do mundo todo, como o filósofo francês Jean-Paul Sartre, Marighella teve o futuro decretado ainda quando era Carlinhos. Não de propósito, é claro. A mãe dele, Maria Rita, para evitar que o filho pequeno saísse para jogar futebol, prendeu o calcanhar dele ao pé de uma mesa. Uma vizinha, ao ver a cena, alertou: “Dona Rita, não faça isso! Criança que é presa assim acaba presa de verdade". Ela não poderia imaginar que, da boca da vizinha, saíra uma profecia.

Marighella, baiano de Salvador, ficou conhecido na capital no final da década de 1920. Não por nenhuma manifestação, e sim por realizar uma prova de física em forma de poema enquanto cursava o Ginásio. Na década de 1930, cursou dois anos a faculdade de Engenharia Civil,  filiou-se ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), foi preso três vezes e escolheu para si dois ídolos: Luíz Carlos Prestes (líder do PCB) e Josef Stálin (líder da União Soviética). Ambos seriam desmistificados – e o frustrariam - com o passar dos anos.

Ao recontar a história do comunista mulato ateu que frequentava terreiros de candomblé, o jornalista mostra que, diferentemente de Prestes, Carlos Marighella era homem de ação. “O conformismo é a morte”, costumava dizer. Nos anos em que o PCB ficou na ilegalidade, o secretário-geral do partido mantinha-se escondido, enquanto o ex-acadêmico de engenharia se movimentava para organizar ações como panfletagem e greves. Autor de livros de poesia e táticas de guerrilhas, diretor de jornais comunistas e deputado federal constituinte em 1946, foi expulso do PCB em 1968 por discordar da linha que o partido tomara. No mesmo ano, foi considerado o inimigo número um da ditadura.

 Ao lado de outros revolucionários, após sair do partido, Marighella fundou a ALN (Aliança Nacional Libertadora), grupo guerrilheiro que pregava que a revolução deveria começar na zona rural, como fez Fidel Castro em Cuba e Mao-Tsé-Tung na China.

 Morreu em 4 de dezembro de 1969, aos 57 anos, assassinado a tiros. Dentro de um fusca, ele caiu em uma armadilha vigiada por, no mínimo, 29 polícias.  E desarmado, segundo Magalhães na biografia, contrariando versões contadas durante anos pelos agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e pelos jornais.

Pela qualidade do livro, Mário Magalhães entra no rol dos grandes biógrafos, ao lado de Fernando Morais e Ruy Castro. Já Carlos Marighella é (re) colocado ao lado dos personagens mais importantes do século passado.

                Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo incendeia - com propriedade - a mente do leitor.

É simplesmente de tirar o fôlego.


Capa: 10 - Essa cor laranja realmente chama muita atenção. Jogada de marketing, creio eu, da editora.
Conteúdo: 10 - Como já disse acima, é simplesmente de tirar o folego. Merecido o Jabuti.
Diagramação: 10 - As letras são bem pequenas. Creio que para economizar outras folhas, haha. Mas o livro também é rico em fotos. Baita biografia.

E aí, caçadores, chegou a hora de lermos sobre o tal Marighella?



4 comentários:

José Vinícius disse...

Fala, Victor, blz?

Vi no seu facebook o link da resenha e vim aqui para ler o texto. Muito bacana. Parabéns pela resenha.

Eu já tinha vontade de ler o livro, agora, tenho mais ainda, hahahahahaha.

Parabéns =]

Vanilda disse...

Não sou muito de ler biografias mas essa, além de uma biografia, me parece o retrato de uma época, pura história de um passado recente. Deve ser muito interessante mesmo!

João Victor disse...

HAHA. É isso aí, José. Siga sempre o que eu postar no Facebook sobre resenhas. HAHA.

É um grande livro. Vale a pena.

Abraço.

João Victor disse...

Escreveu e disse, Vanilda. Marighella foi um marco no século passado que, em muitos casos, nem ouvimos falar dele. Ao meu ver, a biografia veio "fechar" essa lacuna entre o passado e o presente em relação a ele.

Beijo!

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