28 de out de 2013

Livro de sonetos (Vinicius de Moraes)



Várias editoras 
Livro de Sonetos
Publicado originalmente em 1957 




Dia desses, mais especificamente dia 19 deste mês, foi comemorado o centenário de Vinicius de Mores – o poetinha. Confesso que desconheço quase que por completo a obra que ele deixou.  E não, não me envergonho disso.  Acredito ser muito pior fingir que conhece o cara postando vídeos e poemas dele no Facebook  somente no dia que foi o “aniversário” dele.

Enfim. Para não me sentir perdido no mundo, fui à biblioteca da faculdade onde estudo e peguei um livro para conhecer um pouco mais desse tampinha-pegador-compositor e ídolo de muita gente. Escolhi um livro relativamente pequeno em tamanho, mas de um conteúdo caprichado. Escolhi o Livro de sonetos.


E não é que gostei e me surpreendi com o que li. A edição é de 1976, mas o livro foi lançado anos antes, em 1957, época em que Moraes ainda era diplomata e não era considerado um figurão da MPB, muito menos o pai da Bossa Nova, que estava sendo gerada.

Analisar poemas,  ou a obra do autor, para mim, é muito difícil. Visto que apenas li u, isso mesmo, um livro dele. Por isso vou deixar registrado três dos que mais me agradaram. Ao ler o livro, você, caçador, poderá tirar suas próprias conclusões e, claro, escolher os seus poemas favoritos.

Nesse primeiro, pode-se observar uma certa admiração excessiva, talvez, por uma mulher e pela beleza que ela carrega. Como todos sabem, Vinicius se casou diversas vezes. Sim, ele era um homem apaixonado pelo sexo feminino (viva!). 

Soneto de devoção

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os caris que nunca outra daria

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela

Essa mulher é um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
_______________________________

 Já o próximo soneto é mais conhecido. E realmente muito bonito. Faz jus à fama. 

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
_____________________________

Nesse último, podemos ler um poeta triste. A separação foi algo constante na vida dele. Será que ele sempre utilizava esse poema cada vez que rompia um relacionamento?  

Soneto de separação 
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez de amante
E de sozinho o que se fez de contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

_____________________________

O livro é encantador. E despertou em mim a vontade de ler outras obras do autor. 

A capa ao lado esquerdo é da edição da Companhia das Letras. 


A Companhia das Letras está relançando a obra do Vinicius de Moraes com edições bem bonitas. Aliás, no próximo dia 29, vai rolar um sorteio de um box com quatrolivros do autor. Não deixe de participar. Afinal, vai saber, né?



Até a próxima!



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