27 de ago de 2013

O último dia de um condenado à morte (Victor Hugo)

Editora: Pólo Editorial do Paraná
Numero de Páginas: 95


Ao som de Richard Wagner (não poderia ser outro, para este livro)



Esta é a uma releitura. A primeira vez que o li fiquei estupefata, sem palavras. Ambientado na França do século XIX, Victor Hugo nos mostra o lado B do Ultimo dia de um condenado a morte, de forma aguda, estremecedora, reflexiva e altamente humana.

A personagem principal, cujo nome não é enunciado, o reconhecemos apenas como o Condenado, pois ele, após o veredicto, não tem nome. O crime o despersonaliza, o faz inexistente, o converte -  de um substantivo próprio a um adjetivo: culpável.

De começo a fim, o relato é estremecedor, vejamos o primeiro parágrafo que me abalou: 

Acabei de fazer meu testamento (...) Deixo uma mãe, deixo uma mulher, deixo uma criança (...)Assim, depois da minha morte, três mulheres, sem filho, sem marido, sem pai; três órfãs de diferentes espécie; três viúvas por causa da lei. Admito ser punido justamente; mas essas inocentes, o que fizeram?. Pouco importa, serão desonradas, arruinadas. É a justiça.


O texto é um escândalo para a época, acostumada ao som da guilhotina na praça pública. As mesmas personagens falam do livro – nosso livro -  que acaba de ser escrito:

 A Senhora de Blinval: De fato, é um livro pavoroso, um livro que faz mal.

O senhor gordo: Éramos tranquilos, não se pensava em nada. De vez em quando na França cortava-se uma cabeça aqui ou acolá, duas por semana, no máximo. Tudo isso sem barulho, sem escândalo. Não diziam nada. Ninguém nem pensava. Absolutamente, eis um livro...um livro que dá uma dor de cabeça horrível!

O Poeta: O que é certo é que os livros muitas vezes são um veneno subversivo contra a ordem social.

Vejamos mais detalhadamente:

O bom: O relato é realmente fantástico. A linguagem te rouba o ar a cada pagina lida. Relembrou-me Dostoievski em Crime e Castigo, ou no Os Irmãos Karamazov. Trata do castigo antes e durante a consumação do castigo; o peso da sentença.
Em certas passagens relembrou-me o próprio Jesus, no angustiante caminho a morte, ambos  ansiosos por dizer o “consumado está”, ansiosos por acabar com tudo: ansiosos por pronunciar o Tetelestai.

O ruim: Não vejo nada melhorável no texto. É realmente fantástico.

A Estética: Um livro pequeno, flexível. A arte é contemporânea  a sua época. Simples e objetivo.

O Resgatável: Leva-nos a pensar na humanização do criminal, e mostra que o castigo é a pré condena e não a efetuação da mesma: de fato ela – o cumprimento da condena – é a liberdade, o fim do sofrimento e angustia.  Faz-nos pensar no absurdo das instituições e o macabro que era o sistema antigamente. E como diz na capa do livro “ Por que não? Os homens... são todos condenados a morte sem apelação.”



Tipo de caçada: 


Bom caçadores,  espero que o possam ler. É um dever cívico, e certamente está na minha lista de livros recomendáveis.



Daniela Vidal

3 comentários:

Criticando por aí - Caroline disse...

Esses livros são quase que obrigatórios. Todos deveriam ler para serem seres humanos melhores! me interessei bastante!

Beijos,
Caroline
http://criticandoporai.blogspot.com

Anônimo disse...

nada

Anônimo disse...

quem sao os personagens do livro

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