29 de jul de 2013

Rota 66: a história da polícia que mata (Caco Barcellos)






Rota 66: a história da polícia que mata
Ed. Record
352 Páginas
ISBN: 8501065269



Caco Barcellos é figura conhecida da quem assiste a televisão. Trabalhando na Rede Globo desde a década de 1980, atualmente ele lidera jovens no programa Profissão Repórter, que vai ao ar nas terças-feiras à noite.

Famoso e bem visto pelos seus trabalhos, Caco também é escritor. Com duas obras já publicadas. Dois livros-reportagens. O primeiro deles, que será resenhado hoje, é o Rota 66: a história da polícia que mata, foi lançado em 1992, e reúne vários anos de trabalho e pesquisa jornalística.


O livro não é baseado em uma única história. E sim, em várias.  O  “Rota” do título vem do pelotão de elite da Polícia Militar de São Paulo, a Rota: Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.  O grupo, criado durante a Ditadura Militar, tem a função de combater o crime e de ser exemplo para a PM.  A função de Caco Barcellos? Ver se eles realmente cumprem com o dever que lhes cabe.

E é o que o jornalista faz. Durante as décadas de 1970 e 1980, Caco investiga assassinatos e abusos cometidos pela polícia. Trabalhando como repórter free lancer, passou madrugadas seguindo viaturas, indo a velórios e – acreditem – dias e dias no IML conferindo documentação dos criminosos que a Rota matava, sendo que ninguém mais da imprensa dava importância a esses assuntos.

O motivo para isso? Simples. Caco é um jornalista fora de série, que começou a suspeitar da forma como os polícias matavam os criminosos – que, em muitos casos, nem isso eram. Eles abordavam o “suspeito”, o matavam, mexiam na cena do crime, e depois o levavam para um hospital. Na ficha do Boletim de Ocorrência, os policiais alegavam que o criminoso resistiu à prisão – mentira, na maioria das vezes, como Barcellos provou posteriormente.

Empenhado em não deixar o abuso das autoridades, o jornalista criou um banco de dados com o nome dos mortos, recolhidos a partir de informações coletadas nos jornais como Notícias Populares, e de quem os assassinava, a partir dos boletins da polícia e das notas nos jornais.

Com isso, no livro, o jornalista levanta o nome dos maiores matadores da PM, e mostra como o próprio comando da polícia não fazia nada para condena-los pelos crimes.  Dessa maneira,  nos mostra que desde sempre, o pobre não tem vez. E que, ao lado dos assassinos, estava à própria polícia.


Simplesmente fantástico.  É o livro, realmente, de tirar o folego. 



Capa: 10 - Achei fantástica. Logo de cara, já vemos que o livro será sobre a polícia, e que não irá mostrar o lado "bonzinho" dela. 
Conteúdo: 10 - Sensacional a história. Melhor que isso, somente se houvesse continuação da história.
Diagramação: 10 - Comum, mas o conteúdo da história favorece, rs. 

O livro, ao ser lançado, causou tanta repercussão, que Caco teve que morar fora do Brasil, pois desagradou algumas autoridades. Ou seja, Caçador e Caçadora, você sabe que esse não é um livro qualquer!

E aí, o que acharam?




3 comentários:

Caçadora de Livros disse...

Eu sou fã do Caco.
Acho admirável a forma como ele conduz as matérias, como se porta diante dos fatos e agora, como conduz jovens jornalistas no Profissão Repórter.
Parabéns pela resenha, João.
Fiquei contente com essa vertente do trabalho dele.

João Victor disse...

Caco realmente é um baita profissional. Admiro demais ele.

Obrigado pelo parabéns. Beijo, Fer!

Mariana. disse...

É incrível a maneira como você consegue transmitir seu entusiasmo em relação ao livro através da sua maneira de escrever. Faz a gente ter muita vontade de ler!
Parabéns pela resenha, João. Você é muito talentoso!

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