24 de jun de 2013

Objecto Quase (José Saramago)




* Esta é a terceira resenha da Semana José Saramago, uma parceria da Companhia das Letras e do blog Caçadora de Livros. Ao final da semana, no dia 26 deste mês, três leitores serão premiados com três livros do autor. Para  sabe como participar da promoção e obter mais informações, acesse o link: 
                                                         Promoção José Saramago

Objecto Quase
Ed. Companhia das Letras
136 Páginas
ISBN: 9788571643628
Preço Sugerido: R$ 38

Pessoal, mil desculpas! Tive alguns imprevistos pessoais nesse fim de semana e não pude postar. Por isso, hoje, postarei três resenhas para compensar o sábado e o domingo, ok? 

A primeira delas é essa.

Saramago, além de romancista, foi cronista, poeta e contista. Nessa última função, escreveu em 1978 o Obejcto Quase. No Brasil, a primeira edição foi lançada em 1994, pela Companhia das Letras.

O livro é pequeno. As histórias e as histórias dos seis contos do livro diferentes uma das outras.

O nome do livro, num primeiro momento, também é estranho. Seria um livro de objetos? Talvez sim. Talvez não.  Vamos descobrir juntos?


 Abre-se o livro e vê-se o primeiro conto. O nome dele?  A cadeira.  A história não é uma história qualquer. É  um relato minuciosamente bem escrito sobre a queda de um ditador no momento em que ele foi sentar.  A cadeira estava sendo roída por uma espécie de besouro.  Por vezes o conto é engraçado. Mas o seu real sentido foi a queda do Salazarismo, uma ditadura que durou mais de 50 anos em Portugal. Seria a cadeira o trono do ditador e o besouro a população?  Não sabemos. O que sabemos é que a cadeira é a personagem principal. Um objeto. Ou melhor, um quase objeto, pois está sendo comida.

O segundo conto, Embargo, é maravilhosamente genial. Uma espécie de alegoria, que depois viria a ser uma característica dos livros do autor, como Ensaio sobre a cegueira, Ensaio sobre a lucidez e A caverna.  A história é maluca, mirabolante. Mas genial. Um homem, numa determinada cidade, fica paranoico após não haver mais gasolina para abastecer os. O carro – outro objeto – começa a tomar conta dele. Às vezes o personagem quer sair, mas não consegue.  

O terceiro, Refluxo, segue uma linha mais fantástica. O conto  retrata a história de um rei que quer acabar com a morte. Para isso, ele decide criar um grande cemitério, longe de seu reino,  onde todos os mortos enterrados nos outros lugares até aquela data seriam retirados e colocados no cemitério geral. Assim a morte ficaria afastada. Durante um tempo, funcionou esse afastamento da morte, já que a saúde daquele local melhorou.  Mas, no final, não adiantou muito. Não adiantou porque a morte é universal a todos.
O quarto, Coisa, relata a história de uma cidade onde objetos – olha eles aí novamente! Somem de repente. Tudo vai sumindo. Tudo. No fim, uma nova sociedade surge. O conto é descrito, por vezes, com siglas. Aparentemente é um relato jornalístico.

O quinto, sem dúvida, é o melhor. Centauro é uma crítica ao ser humano em sua natureza.  Um centauro, o último de sua espécie, vaga pelo mundo, não podendo se expor, para não ser chamado de aberração e morrer. Literalmente, ele tem alma de humano e corpo de animal, que, por vezes, o leva a fazer coisas sem que tenha a real vontade de fazer. 

O sexto é o mais complexo, em minha opinião.  De nome Desforra, o conto traz a história de um rapaz que observa um. De repente, vê uma rã. Que some. Após ela sumir, uma garota aparece. E ele vai atrás da garota.  


O livro é bom.  Ele nos traz a reflexão do ser humano. Quem nunca se sentiu um centauro, por deixar de utilizar a razão e utilizar o extinto “animalesco?”. Ou talvez ficamos presos em coisas materiais, como no conto Embargo?

Apesar de tudo isso, não é o melhor livro de Saramago. Aliás, se fosse para indicar algum livro do autor para alguém ler, com toda certeza, esse eu não indicaria.
Ainda assim, vale a leitura. Precisamos conhecer todas as “faces” da literatura do português.
E vocês, o que acharam?

Não se esqueçam:  a promoção continua. Boa sorte!

* A primeira resenha da Semana Especial foi do livro Caim. Você pode conferi-la aqui:  Resenha Caim

A segunda resenha da Semana Especial foi do livro O conto da ilha desconhecida.  Você pode conferi-la aqui:  Resenha Oconto da ilha desconhecida






14 comentários:

Adriana Balreira disse...

João,
Eu não gosto de contos e poesias. Não sei se eu gostaria de ler esse livro. Com certeza leria por gostar do Saramago e tentar entender um pouco mais da sua escrita que acho fantástica. As histórias que vc relatou que estão no livro são bem interessantes. A capa do jeito que eu gosto, bem típico dos livros dele lançados pela Cia. das Letras. Esse é um livro que para quem ama Saramago ter para uma leitura mais rápida, assim vejo eu.
Beijos
Adriana Balreira
adriana.balreira@gmail.com

Marcia Nazario disse...

Não costumo ler livros de contos,pois acho que muitos dificultam a interpretação.
Assim como você,também achei o título do livro um tanto estranho e fiquei aqui imaginando que mente criativa a do autor,que só de olhar objetos( a cadeira por ex) cria toda uma estrutura para contar ao leitor uma época em que houve a ditadura em seu país!
Quanto aos outros contos do livro, centauro e desforra foram os que mais gostei,que imaginação!! ;)

Ana Flávia disse...

Ainda não li esse livro, mas fiquei curiosa para conhecer o Saramago como contista, pois só o conheço como romancista. Parabéns pela resenha Victor.

Bruna Andrade disse...

Esse eu ainda não li! Mas fiquei muito intrigada com os contos. Do jeito que vc falou lembrou os contos absurdos do Loyola Brandão. <3
Embora vc não recomende tanto, por essa impressão vai acabar sendo um dos meus próximos dele, haha.
Até! :D
email: deandradebruna@hotmail.com

Mariana. disse...

Gosto muito de contos e me interessei muito pelo livro. Essa maneira como o Saramago usou os objetos para contar histórias e passar mensagens foi genial!
Parabéns pala resenha, João.
(marianaggil@yahoo.com.br)

Aline T.K.M. disse...

Como fã do autor, já tinha ouvido falar no livro, mas não com detalhes. E, como adoro contos e narrativas curtas, vibrei com a sinopse de cada conto neste post! Gosto dessas analogias que Saramago sabe fazer tão bem, e achei particularmente interessante um dos contos ter como inspiração a ditadura de Salazar. Aliás, meus avós paternos imigraram de Portugal para o Brasil, entre outros motivos, por causa desse regime.
Acredito que esse livro me agradaria muito.

Bjs,
Livro Lab

Aline T.K.M. disse...

Ah, esqueci...
aline.tkm@gmail.com

João Victor disse...

Concordo com você, Adriana. O livro é para fãs do Saramago, não para dar de presente para quem for conhece-lo. Acho o contista mais fraco que o romancista.

Beijo.

João Victor disse...

Marcia, realmente é um título diferente. Creio que quando você o ler, gostará ainda mais.

Beijo.

João Victor disse...

Obrigado, Ana!

João Victor disse...

Opa, espero que você goste mais dele do que eu, Bruna. HAHA.
Beijão!

João Victor disse...

Obrigado, Mariana.

Beijo.

João Victor disse...

Que maneiro, Aline! Esse livro será uma boa para você, não?

Beijão!!

Matheus G. disse...

Confesso que não me interessou tanto quanto outros do autor, como disseram, é para fãs então lerei quando ler os principais dele, mas parece ser bem bacana!
email: smg_super@yahoo.com

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