4 de jun de 2013

O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)


Editora: Penguin Companhia
Numero de paginas: 249
Isbn: 978856356092
Ao som de Elis Regina

Bom dia caçadores!


Um dos meus descobrimentos relativamente recentes foi Fitzgerald, graças a Meia Noite em Paris (do mestre Woody Allen), e graças a que trabalhei durante um ano numa livraria.

Fitzgerald faz parte da “geração perdida”, junto a Ernest Hemingway,  Gertrude Stein e outros gênios vários. Os auto exiliados em Paris. Grupo que, ao meu ver, seria a antítese positiva da Geração Beat. Ambas vão perdidas pelo caminho, tentando se achar.  Uma vai num estrato social e outra noutro; mas ambos procuram o mesmo. A estética é diferente, mas o sentimento de solidão e absurdo é o mesmo. O status social não nos livra da angustia da existência. Podemos ver isto nas palavras de Nick a respeito de Daisy:

Pois Daisy era jovem e seu mundo artificial estava repleto de orquídeas, esnobismo amável e alegre, e orquestras que tocavam o ritmo da vez, resumindo a tristeza e as possibilidades da vida em  novas melodias (pg. 211).

Neste romance, nosso protagonista Gatsby é um típico representante do “sonho americano”, um homem que faz boas jogadas na vida e consegue ascender na escada social graças a negociações julgadas como “pouco ortodoxas” por seu circulo social. Conhecemos a vida de Gatsby porque seu único amigo, e vizinho, Nick o conhece de perto.

Gatsby é um calculista e existecialista, nos termos mais sartreanos, que criou-se a si mesmo, que arquitetou  sua vida social em pós de um único objetivo: estar com Daisy, seu antigo amor, que escolheu casar com outro, pois Gatsby não tinha dinheiro nem o status social para cuidar de uma senhorita de classe alta.
O tempo tudo as personagens estão submergidas num ambiente frívolo, arribista  e classista. Festas alucinantes no aspecto estético, mas uma solidão e frivolidade excepcionais, típico de uma era classista e capitalista. E Gatsby sabia disto:

Gatsby estava ciente de que ninguém lhe telefonaria, e talvez nem se importasse mais. Se isso é verdade, deve ter percebido que perdera seu bom e velho mundo, pagado um preço alto por viver tanto tempo com um único sonho. Deve ter erguido os olhos para um céu desconhecido por entre as folhas ameaçadoras, e estremecido ao notar que a rosa é uma coisa grotesca e que a luz do sol castiga violentamente a grama que acaba de brotar. (pg. 221)

Vamos aos critérios.

O bom: A prosa de Fitzgerald é muito boa!, o estilo realista e profundo faz da sua escrita uma delicia. Absolutamente recomendável.

O ruim: A pesar de gostar muito de Fitzgerald, esperava mais dele no Grande Gatsby. Não sei se foi pela excessiva publicidade a propósito do livro. O relato é lindo, sem duvida, só que esperava mais. Considero que em Os belos e Malditos, seu pensamento é mais profundo, reflexivo e calidamente feridor.

Estética: Tenho o privilegio (graças a Penguin Companhia) de ter o livro sem a capa do filme. Esta edição é linda!. Em preto e branco, uma mulher dos anos 20’, de perfil, sentada num sofá, com olhar tedioso, melancólico e frustrante. O nome do autor em vermelho e da obra em branco, numa fonte menor. Tivesse preferido uma fonte maior para o titulo da obra.

O resgatável:  Ler Fitzgerald sempre será um prazer. Nesta obra nos faz refletir sobre a miragem  do sucesso social, o vazio e futilidade da sua incipiente época capitalista. Como é excitante e frustrante arriscar tudo e construir uma vida em torno de um único objetivo. Mostra-nos  também a falsidade das amizades interesseiras.
Tipo de caçada:  

Ok caçadores, espero que possam ler o livro antes de assistir o filme, por favor! Hehe.
Saudações literárias!

Daniela Vidal.

6 comentários:

Ju Zanotti disse...

Ah eu estou com ele em casam ia começar a ler assim que terminei A probabilidade Estatística do Amor a Primeira Vista, mas acabou que escolhi outro. Confesso que só conheço o ator por causa da atual publicidade, quer dizer já tinha ouvido falar, mas nunca li nada. Exatamente por isso não vou comparar rsrsrs mesmo pq não tenho com o que comparar. Bom quem sabe seja minha próxima leitura. A Capa do meu livro é essa tbm, muito linda, infelizmente o livro não tem orelhas :/ acho que isso deixa a capa frágil, mas continua linda! Falei demais já bjoo
http://blogliterata.blogspot.com.br/

Daniela Vidal Ruiz disse...

Oi Ju!
Tenho que concordar com você de que a capa é mole e até meio anarquica, tem vontade própria, se levanta sozinha, srs.
Recomendo que antes deste livro, lei Os Belos e Malditos, do mesmo autor. E se quer ver o filme, leia o livro antes! srs.
Abraços e boas leitura!

Ju Zanotti disse...

Ah valeu pela dica, vou procurar por ele. E sim vou ler antes do filme, sempre faço isso, na maioria das vezes perco o interesse pelo filme assim que acaba o livro kkkk

Eyka disse...

Olá,

O seu blog é demais, linda a iniciativa!

Não conhecia esse livro e nem o autor... Gostei da sua resenha sobre ele, vou procurar saber mais. E a capa é linda realmente.

Parabéns pelo blog novamente e quando puder, venha me fazer uma visita:
http://livrosechocolatequente.blogspot.com.br/

Beijos

Isie Fernandes disse...

Oi, Dani.

Não sei dizer o motivo ao certo, mas não me interessei pela história. Acho que o enredo não me atraiu mesmo, sabe? Suas considerações sobre o que é bom, ruim, estética e resgatável me animaram um pouco. Ainda assim, seria uma possibilidade de leitura, não uma certeza.

Beijos,

Isie Fernandes - de Dai para Isie


Daniela Vidal Ruiz disse...

Oi Isa!
Pois bem, como diz Borgues "La lectura debe ser una de las formas de la felicidad y no se puede obligar a nadie a ser feliz". Sempre devemos ler o que queremos.
Um abraço e obrigada.

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