25 de jun de 2013

Claraboia (José Saramago)




* Esta é a sexta e penúltima resenha da Semana José Saramago, uma parceria da Companhia das Letras e do blog Caçadora de Livros. Ao final da semana, no dia 26 deste mês, três leitores serão premiados com três livros do autor. Para  saber como participar da promoção e obter mais informações, acesse o link: 


                                                         Promoção José Saramago



Claraboia
Ed. Companhia das Letras
384 Páginas
ISBN: 9788535919837
Preço Sugerido: R$ 46


O ano era 1953. Saramago ainda era um quase completo desconhecido. Havia lançado 6 anos antes, em 1947, o primeiro romance chamado Terra do pecado. José, então, envia um calhamaço a uma editora. E o que ele recebe de resposta?  Nada! Nem não, nem sim, nem talvez. Nada.

Aquilo marcou o escritor, que ficou até 1966 sem publicar um livro. E quando voltou, escreveu poesia. Romances? Somente em 1978.


Nos anos de 1980, quando tornou-se respeitado pela crítica após ter lançado Manual de pintura e caligrafia, Levantado do Chão e Memorial do Convento, a editora a qual Saramago havia enviado o romance “encontra” o livro por acaso e pergunta ao autor  se ele permite que a empresa o publique. E o que a editora ouve de resposta? Se você disse nada, errou. O português disse não. E mais: que enquanto estivesse vivo, esse livro nunca seria publicado.

E foi o que aconteceu. Após a morte do autor, em 2010, no ano seguinte, eis que sai das gavetas mofadas de uma editora e vai para as estantes de livrarias Claraboia, que será resenhado abaixo.
A história se passa na primavera de 1952, num bairro de classe média em Lisboa. Todo o enredo é construindo num prédio onde vivem 6 famílias.

Os personagens no romance são diversos. Desde um sapateiro que mora no térreo até uma solteirona.

O sapateiro, de nome Sebastião, é um senhor que mora no térreo do prédio e, por vezes, diz frases de cunho filosófico. Dono de um edícula, ele a aluga para  Abel, um jovem de 28 anos, anda por aí. Ele quer curtir a vida, e até agora não tem nada. Os grandes diálogos do livro acontecem entre ele e Sebastião.

Há, também, dona Lídia, uma mulher que vive à custa de Paulino Morais, um empresário rico, que a presenteia sempre e a sustenta em troca de sexo. Sim, eram os anos de 1950 num País conservador, mas esse tipo de mulher sempre existiu, não é? Lídia é linda e faz inveja às outras mulheres.

Numa outra casa vive Adriana que é a solteirona. Ela mora com a mãe Cândida, a irmã Isaura, uma ávida leitora de romances, e a tia Amélia.  Os momentos de aventura se dão nessa família, quando a tia Amélia decide investigar Isaura.

Emílio Fonseca é caixeiro viajante, casado com Carmén, uma espanhola que se arrependeu de ter casado com o marido. Na visão dela, deveria ter se casado com o primo Manolo. O único momento em que ficam felizes é quando os dois vão se separar por conta da viajem da mulher à casa da mãe. O filho deles chama-se Henriquinho. E ele não sabe se gosta mais da mãe ou do pai.

Há também Justina, uma mulher magra e feia, casada com Caetano Cunha, linotipista de um jornal (quem trabalhava com tipografia), que não se sente atraído pela mulher e, por isso, sai com outras. A vida deles é um inferno.

Por fim, há a família de Anselmo e Rosália e Claudinha, a filha deles. O pai, nesta família, tem o poder patriarca. A última voz. A mulher é submissa e dona de casa. E a filha procura um emprego melhor. Para isso, Anselmo procura dona Lídia e pede para que o amante dela arrume emprego para a filha dele.  




O livro retrata cenas do cotidiano de todos nós. Brigas, ciúmes, conversas, falta de dinheiro, emprego, amantes. Ao lê-lo, a identificação é clara. Por vezes, não diretamente conosco, mas com alguém de nosso convívio social.

Com um forte retrato psicológico de cada personagem, o livro não chega a ser tão profundo quanto seriam os próximos do autor. Outro detalhe é que, em 1953, ele ainda escrevia "normalmente", e não com o estilo "saramaguiano", que o consagrou. Até então, era um escritor como outro qualquer.

A resposta negativa para esse romance não foi de todo mal. Dessa maneira, de 1953 a 1978, Saramago não escreveu nenhum romance. Deve ser por aí que ocorreu seu amadurecimento literário, que viria a consagra-lo no futuro.

Um último detalhe é que, para quem já está acostumado com o estilo “saramaguiano” no começo, por ser certo demais, a leitura causa "estranheza".


Ainda assim, vale a leitura. 

E aí, o que acharam?

*A primeira resenha da Semana Especial foi do livro Caim. Você pode conferi-la aqui:  Resenha Caim

A segunda resenha da Semana Especial foi do livro O conto da ilha desconhecida.  Você pode conferi-la aqui:  Resenha Oconto da ilha desconhecida

A terceira resenha da Semana Especial foi do livro Objecto Quase.  Você pode conferi-la aqui: Resenha Objecto Quase

A quarta  resenha da Semana Especial foi sobre o livro O evangelho segundo Jesus Cristo. Você pode conferi-la aqui: Resenha O evangelho segundo Jesus Cristo 

A quinta  resenha da Semana Especial foi sobre o livro As intermitências da morte. Você pode conferi-la aqui: Resenha  As intermitências da morte

Até a próxima!

13 comentários:

Adriana Balreira disse...

João,
eu adorei esse livro só por ter uma personagem de nome ADRIANA! Tudo bem que ela é a solteirona, mas já me identifiquei..rsrs... E como você falou, deve ser mesmo estranho ler uma Saramago com pausas, dialogos. Eu gosto do jeito que ele escreve, sem pausas. Interessante que foi uma época lá trás e só agora veio a tona.
Beijos
Adriana Balreira
adriana.balreira@gmail.com

Marcia Nazario disse...

Achei estranho... e acho qe tens toda razão ao dizer que o ator não havia 'amadurecido seu estilo literário' ainda.
Achei o livro legal,menos interessantes que os demais resenhados anteriormente,pois a estória tem uma abordagem da vida,como ela é...a minha, sua,do vizinho e etc... nada de 'sobrenatural' que nos faça morrer de surpresa e curiosidade!

Ana Flávia disse...

Pela sua resenha, tenho a impressão que eu ficaria um pouco perdida em meio a tantos personagens. Aconteceu isso com você? Estou ansiosa pela última resenha e torcendo para que seja sobre "Ensaio sobre a cegueira".

Marco Hruschka disse...

Tentado a ler... gostaria de ver se Saramago foi um gênio desde sempre ou se ele se transformou em um com o tempo. Ainda não tenho esse livro. Quero completar a minha coleção saramaguiana.

Email: marcohruschka@hotmail.com

Bruna Andrade disse...

Caramba, não sabia dessa história por trás do Claraboia. Nem imaginava porque só tinha sido lançado depois de sua morte. Deve ser mesmo estranho ler esse livro depois de todos os mais novos já lançados. Mas a história me lembrou vagamente O Cortiço e como gostei muito desse clássico fiquei curiosa com Claraboia.
email: deandradebruna@hotmail.com

Mariana. disse...

Nunca li Claraboia mas pela descrição das personagens, assim com a Bruna disse ali em cima, me lembrei também de O Cortiço.
Ótima resenha, João.
Beijos
(marianaggil@yahoo.com.br)

João Victor disse...

HAHAHAHA.

Beijo, Adriana.

João Victor disse...

Exatamente, Márcia, mas vale a pena conhecer quem era o "Saramago". hehe

Beijão.

João Victor disse...

Comigo não, Ana. Os capítulos são bem divididos. Não há como se perder. HEHE.

Beijão.

João Victor disse...

Isso aí, Marco.

Abraço.

João Victor disse...

Acho que não há muito semelhança não, Bruna. HAHA.

Mas leia-o e confirme essa impressão.

Beijo.

João Victor disse...

Acho que não, Mariana. HAHA.

Beijão.

Aline T.K.M. disse...

O melhor foi o "não" do Saramago à editora... hahaha.
Acho que justamente por não ter o estilo tão peculiar do autor é que tenho estado "enrolando" e não comprei ainda Claraboia. Claro que quero ler o livro, ainda mais porque gosto de histórias com vários personagens, que retratam o convívio, uma espécie de pequena comunidade. Mas confesso que sou fã do estilo de escrita do Saramago, então estou deixando Claraboia para depois...

Bjs,
Livro Lab

Postar um comentário

Obrigada por comentar, Caçador(a)!
Volte Sempre!

Para postar links nos comentários, utilize o espaço correto:
1- Clique em Comentar Como:
2- Selecione a opção Nome/Url
3- Em nome, coloque o seu nome ou nick das redes sociais.
4 - Em Url, coloque o link do seu blog ou página das redes sociais.

Pronto, assim você comenta e ainda coloca os seus dados, sem fazer spam.

Para dúvidas, sugestões ou solicitação de informações, encaminhe email para: c.delivros@gmail.com

Caçadora de Livros. Todos os direitos reservados.©
Design e codificação por Sofisticado Design