20 de jun de 2013

Caim (José Saramago) @ciadasletras




*Damos inicio AGORA a Semana Especial José Saramago - uma parceria da Companhia das Letras e do blog Caçadora de Livros. Ao final da semana, no dia 26 deste mês, três leitores serão premiados com três livros do autor. Para mais informações, acesse o link:  Promoção José Saramago



Caim
Editora Companhia das Letras
176 páginas
ISBN: 9788535915396
Preço sugerido: R$ 39,50


 E a primeira resenha não poderia ser outra. Caim  foi escolhido propositalmente. A obra, lançada em 2009, foi último livro do autor lançado em vida. Á época, gerou polêmica e mal-estar com católicos e evangélicos. Algo nada inédito para José Saramago, pois já acontecera em 1991, quando lançou O evangelho segundo Jesus Cristo, livro que também será resenhado durante essa semana especial. 

Para saber sobre a Semana Especial José Saramago e participar do promoção para concorrer três livros do autor, clique no link abaixo: 

Mas por que o livro causou polêmica?, você deve estar se perguntando. É o que você irá descobrir agora.  Leia a resenha abaixo.



Imagine que Caim seja uma bíblia. Ao menos parte do Velho Testamento dela. Mas imagine mesmo. A partir daí, sente-se confortavelmente e comece a lê-lo. Nas primeiras páginas, quem você irá encontrar? Adão e Eva – assim como no Gênesis bíblico.  Apenas com uma diferença: nada aqui é perfeito. Além de os nomes dos personagens bíblicos serem escritos em letras minúsculas propositalmente.

Irônico, mordaz e direto, Caim  é o questionamento de José Saramago, ateu, a Deus. Na bíblia, o Senhor criou o homem e a mulher  perfeitamente. Em Caim, a criação não foi tão perfeita assim. Até porque o Senhor teve de voltar até as criações dele e fazer o umbigo em cada um deles.

 Após a expulsão do Jardim do Éden,  Adão e Eva  tiveram três  filhos: Caim, Abel e Sete – este último sem importância para a história.  

Caim – o herói do livro, ou o vilão, depende do ponto de vista, mata Abel por ciúmes, pois  Deus aceitou a oferenda de Abel e não a dele. Após matar o irmão, Caim culpa a Deus, que não o impediu que tomasse atitude.

Para a surpresa de Caim, Deus entende o erro e o assumi. Por isso não castiga Caim com a morte. E sim, o projete com uma marca na testa, dizendo que nenhum homem o matará. Entretanto, ele vagará pela terra. E é o que acontece.

Sem espaço-tempo lógico, Caim viaja pelo por aí, como um errante. Encontra-se na terra de Nod, onde amassa barro, dorme com a rainha e com ela tem um filho. Depois, salva Isaac de ser morto pelo pai, Abraão, que na visão de Caim é um louco, pois, para ele, seria natural que um pai não agisse em prol da morte de um filho. Por isso  crítica Abraão e a Deus, que foi quem ordenara o assassinato como prova de fé:

“Quer dizer, além de tão filho da puta  como  o  senhor,  abraão  era  um  refinado mentiroso,  pronto  a  enganar qualquer  um  com  a  sua  língua”
Posteriormente encontra-se na Torre de Babel. Lá ele observa a torre que homens construíram para chegar ao céu e que causou a fúria de Deus, que, como castigo, trocou a língua de todos eles, fazendo com que ninguém se entende-se.
Naquele local, num diálogo com um operário, que, por sorte, falava hebraico, o viajante erra  diz  sobre Deus:

“O ciúme é o seu grande defeito, em vez de ficar orgulhoso dos filhos que tem, preferiu dar voz à inveja, está claro que o  senhor não  suporta ver uma pessoa  feliz”

Caim depois vê a destruição de Sodoma e Gomorra, a morte de três mil homens que adoraram um bezerro, a morte de vários midianitas pelo povo de Israel, além  da negociação de Deus e Satã para testar a fé de Jó.

Tudo isso, na visão de Caim, mostra um Deus mal, que deve pagar, de alguma forma, pelas mortes que causou.

Ao final do livro, durante a viagem na Arca de Noé, Caim encontra uma forma de vingar-se de Deus.  



A forma que ele encontrou para fazer isso? Só lendo o livro para saber, caçador. 

No geral, Caim é um bom livro. 


Um detalhe é a capa de cor preta. Algo notável e diferente à primeira vista. Nas edições atuais dos livros que a Companhia das Letras lançou do autor português, as capas seguem o mesmo padrão: um gravura estampada num apa branca. A capa seria o indício de algo diferente ou uma espécie de luto antecipado? Fica no ar a  "teoria da conspiração", rs.

E aí, o que acharam? 

Lembrando que para participar do sorteio dos três livros do autor, você deve ler as regras aqui: Promoção José Saramago


 * As resenhas da Semana José Saramago deveriam ter começado ontem. Entretanto, tive problemas com as postagens. Peço desculpa a quem estava aguardando. Por isso, a semana encerrará no dia 26, e não no dia 25.

Até amanhã. E aguardem o próximo livro. Boa sorte!



15 comentários:

Adriana Balreira disse...

João,
Não li nem esse livro nem o Evangelho. Mas pelo que vc descreveu aqui o livro deve ser bem instigante mesmo. Eu gosto mais das capas brancas com uma ilustração. São assim os meus livros dele. Mas voltando ao livro, gostei de saber que o Caim permeia uma boa parte da história do velho testamento e vc agora me deixou curiosa para saber o final.
Beijos
Adriana

Adriana Balreira disse...

Esqueci de colocar o meu e-mail: adriana.balreira@gmail.com
Beijos
Adriana

Ana Flávia disse...

Saramago, como sempre, polêmico. Ainda não li esse livro, mas fiquei curiosa para saber o que acontece no final. Obrigada por, além de não ter contado, ter me deixado curiosa haha

Vou aguardar as próximas resenhas.
(aninha523@hotmail.com)

Mariana. disse...

Realmente uma história intrigante. Para católicos (como eu) é uma forma de conhecer um pouco das visões que outras pessoas têm sobre a Bíblia. Ótima resenha, João. rs. (marianaggil@yahoo.com.br)

Marco Hruschka disse...

Olá. Não conhecia o blog. Parabéns pelo trabalho. Saramago é meu escritor predileto e andou influenciando até mesmo a minha escrita.
Gostei do Caim, mas o ESJC é ainda melhor, mais instigante, com reflexões mais profundas. Enfim, Saramago é muito bom. Vou acompanhar as resenhas e se ganhar os livros no final, melhor ainda!
Abraços.

Email: marcohruschka@hotmail.com

João Victor disse...

Pessoal, o primeiro e-mail foi enviado.

Boa sorte a todos.

João Victor disse...

O final é interessante e realmente irônico, Adriana.

Beijo e boa sorte.

João Victor disse...

Esse é o espírito, Ana Flávia.

Boa sorte.

Beijo.

João Victor disse...

Mariana, para lê-lo, você deve entender que é literatura, para não ficar revoltada, rs.

Beijo e boa sorte.

João Victor disse...

Obrigado, Marco. Saramago é demais, né?

Minha opinião sobre O evangelho? Só daqui a alguns dias. HEHE.

Boa sorte!

Aline T.K.M. disse...

Não li (ainda) O Evangelho Segundo Jesus Cristo, e Caim já está na minha fila há um tempo.
Adoro quando me deparo com a palavra "deus" escrita em minúsculas nos livros de Saramago! O autor tem uma maneira bastante peculiar de fazer suas críticas, e a polêmica dele com a Igreja é sempre interessante. Só um gênio para conceber um livro com uma proposta como a de Caim.

Bjs, Livro Lab

aline.tkm@gmail.com

Bruna Andrade disse...

Eu adoro esse livro! É um dos meus favoritos, haha. Amo a ironia e a coragem dele de (novamente) ir contra algo tão cultuado e considerado sagrado. Também li o Evangelho, mas não sei, talvez por ter lido Caim primeiro já sabia o que esperar e o impacto não foi tão grande. Mas deu até vontade de ler o Caim de novo!
Até!
email: deandradebruna@hotmail.com

Marcia Nazario disse...

Nossa Saramago pegou pesado com Deus,hein!
O livro é um pouco diferente do que eu imagina,mas não menos interessante!
Achei que o livro é uma grande crítica a tudo que conhecemos a respeito do início da humanidade,e que o autor (ateu)realmente não acredita na perfeição divina! :)

E-mail: marcinha_msp@hotmail.com

Marcia Nazario disse...

*Ops: 'imaginava'.

Matheus G. disse...

Esse eu tenho! Porém não o li ainda, sem tempo mas estou muito ansioso para lê-lo logo, ainda mais depois da resenha! Acho a capa muito linda, mesmo não tendo noção do que seja aquilo kkkkkkkk (UMA PEDRA? MADEIRA?)
email: smg_super@yahoo.com

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