25 de jun de 2013

As intermitências da morte (José Saramago)




* Esta é a quinta resenha da Semana José Saramago, uma parceria da Companhia das Letras e do blog Caçadora de Livros. Ao final da semana, no dia 26 deste mês, três leitores serão premiados com três livros do autor. Para  saber como participar da promoção e obter mais informações, acesse o link: 


                                                         Promoção José Saramago


As intermitências da morte
Ed. Companhia das Letras
208 Páginas
ISBN: 9788535907254
Preço Sugerido: R$ 43




Na virada de um ano, num país desconhecido, ninguém mais  morre. A partir daquele dia, a morte começaria a própria greve. E não havia como mudar a ideia dela. Assim começa a história de As intermitências da morte, livro lançado em 2005 pelo português Nobel de Literatura.


Ao nosso primeiro ver, algo fantástico, não?! Quem aqui nunca pensou em viver para sempre, ou ter pessoas ao lado que vivessem para sempre?

Saramago, mais uma vez, mostra-nos que somos completos ignorantes. Que esse nosso desejo, além de puro egoísmo, traz grandes problemas.

Problemas como os que acontecem na história.


Os hospitais tiveram problemas porque ficaram lotados de feridos entre a vida e a morte, mas que não morriam;  a Igreja Católica, pois sem a morte, não há ressurreição, e sem isso não há necessidade de religião e de Deus; as funerárias, que, sem a morte, não há quem enterrar;  além das companhias de seguro de vida, que, sem clientes – já que a vida é eterna – não sabia de onde tirar o lucro para sobreviver.

Para tentar burlar a morte, surge um grupo chamado Maphia, sim, com “ph”, para ser diferente da máfia original, que tenta fazer da não-morte, um negócio. E conseguem, por pouco tempo.

Pois esse pouco tempo de benevolência da morte e de caos social não dura a eternidade, como muitos pensaram. Eis que um belo dia a morte decide voltar. E volta com estilo: mandando um recado em cadeia nacional, dizendo que a partir daquele dia,  todos voltariam a morrer.

 Dum dia pra noite, morrem mais de 62 mil pessoas. Apesar da tristeza, muitos estão felizes, como os hospitais, funerárias, e claro, a Igreja.

A morte, mesmo fria e solitária, em busca de novas almas para descansar pela eternidade, opta por uma nova tática de roubar a vida das pessoas. Ela agora envia uma carta uma semana antes de a pessoa morrer, para quem a receber, preparar-se. 

Eis que um dia, ao fazer o envio de rotina, uma carta volta. A morte a envia novamente. E  carta volta mais uma vez. E a morte a envia mais uma vez. E mais uma vez a carta retorna.  Decide, então, descobrir com os próprios olhos o que está acontecendo.

E é nessa hora que, novamente, aparece à genialidade de Saramago.
A morte vê um homem, violoncelista da orquestra da cidade onde vive.  Para conhecer o homem, ela se transforma numa mulher. E essa mulher encanta o violoncelista, que se encanta pela mulher, que na verdade é a morte.

E o que acontece a partir daí? Só lendo o livro para saber.  





Nessa obra, Saramago faz uma reflexão sobre a vida. E de como o amor pode transformar o ser humano. É espetacular. Um  dos melhores livros do autor, com toda a certeza.

E aí, o que acharam?


*A primeira resenha da Semana Especial foi do livro Caim. Você pode conferi-la aqui:  Resenha Caim

A segunda resenha da Semana Especial foi do livro O conto da ilha desconhecida.  Você pode conferi-la aqui:  Resenha Oconto da ilha desconhecida

A terceira resenha da Semana Especial foi do livro Objecto Quase.  Você pode conferi-la aqui: Resenha Objecto Quase

A quarta  resenha da Semana Especial foi sobre o livro O evangelho segundo Jesus Cristo. Você pode conferi-la aqui: Resenha O evangelho segundo Jesus Cristo 

Até a próxima!




14 comentários:

Adriana Balreira disse...

João,
Eu não conhecia a história desse livro e me encantei quando li aqui. Só li dois livros do Saramago: os ensaios sobre a cegueira e lucidez. E pelo visto esse é bem ao estilo desses dois que li. E é o estilo de livro que eu adoro. Livro para a gente refletir. Realmente, e se a morte não existisse? Caos total, né? E esse encantamento da morte com o violoncelista deve ser muito lindo. Me apaixonei por esse livro só pela sua resenha. Se eu ganhar já sei o livro que irei pedir! :)
Beijos
Adriana Balreira
adriana.balreira@gmail.com

Mariana. disse...

Me falaram sobre esse livro uma vez e desde então eu fiquei com vontade ler. Com essa resenha a vontade aumentou! A morte é sempre um assunto delicado para nós mas parece que Saramago deixa a ideia de que esse mal é necessário.
Parabéns, mais uma vez, João.
(marianaggil@yahoo.com.br)

Marco Hruschka disse...

Esse foi o primeiro livro que li do escritor. Foi minha primeira experiência com a essa linguagem tão diferente e, ao mesmo tempo, única. Depois desse livro eu me tornei um novo leitor e um novo ser humano, muito mais atento e muito mais crítico. Saramago faz isso com a gente. As intermitências da morte também. É um livro para se ler e reler. Eu aconselho a leitura. Mas cuidado, ele pode mudar a sua vida. Abraços.

E-mail: marcohruschka@hotmail.com

Ana Flávia disse...

Já ouvi muitos comentários bons a respeito desse livro. Caso eu ganhe, uma das minhas escolhas será ele. Suas resenhas me deixam com mais vontade de ler os livros do Saramago, parabéns, Victor.

Marcia Nazario disse...

Nossaa que estória,que enredo...mórbido um pouco melancólico,mas extremamente reflexivo e que nos faz enxergar as desventuras de se viver eternamente!
E o autor ainda genialmente nos presenteia com a 'caçada' da morte a um nobre artista,que tem de tudo para prender ainda mais o leitor!
Muito interessante!! :)

Bruna Andrade disse...

Pelo menos dos que eu li dele também acho um dos melhores! E há quem diga que ele pegou a ideia do brazuca Orígenes Lessa. Mas achei o livro do Orígenes bem fraquinho. A única coisa que ele faz, praticamente, é descrever os estados mais terríveis de gente que apesar de tudo não pode morrer. Nem tem história :/ As intermitências é infinitamente melhor. <3
email: deandradebruna@hotmail.com

João Victor disse...

Realmente é encantadora, Adriana. Um dos melhores livros dele.

Beijão.

João Victor disse...

Você vai adorar, Mariana. A história é realmente encantadora.

Beijão.

João Victor disse...

Muda mesmo, Marco, rs.

Abração.

João Victor disse...

Obrigado, Ana!

Beijão.

João Victor disse...

Não acho que seja, mórbida, Márcia. É reflexiva e romântica. Mórbida, não. hehe


Beijão.

João Victor disse...

Que bacana, Bruna, não conhecia essa história de "pegar" do outro. hehe. Irei pesquisar sobre.

Beijão.

Aline T.K.M. disse...

Li As Intermitências da Morte há um tempão, e cara, digo com toda a certeza que é um dos melhores livros que já li na vida. O enredo é muito bem construído, e a sensação do caos contagia o leitor. Um livro incrível!

Bjs,
Livro Lab

Aline T.K.M. disse...

Ops... aline.tkm@gmail.com

Postar um comentário

Obrigada por comentar, Caçador(a)!
Volte Sempre!

Para postar links nos comentários, utilize o espaço correto:
1- Clique em Comentar Como:
2- Selecione a opção Nome/Url
3- Em nome, coloque o seu nome ou nick das redes sociais.
4 - Em Url, coloque o link do seu blog ou página das redes sociais.

Pronto, assim você comenta e ainda coloca os seus dados, sem fazer spam.

Para dúvidas, sugestões ou solicitação de informações, encaminhe email para: c.delivros@gmail.com

Caçadora de Livros. Todos os direitos reservados.©
Design e codificação por Sofisticado Design