29 de mai de 2013

On The Road, Pé na Estrada (Jack Kerouac)


Editora: L&PMPocket
Numero de paginas:  380
Isbn: 9788525413208

Olá caçadores!



Estou sumamente comovida e emocionada ao poder falar a respeito desta legendaria obra da literatura estadunidense.

Com uma tradução, introdução e posfácio comoventes, o livro que inspirou uma geração completa relata as viagens de Sal Paradise e seus amigos através todo Estados Unidos e parte do Mexico. Uma obra totalmente autobiográfica de Jack Kerouac e seus irmãos da Geração Beat.

Contudo, esta viagem não é apenas uma viagem geográfica – eis aí a sua riqueza. É uma viagem dentro deles mesmos;  pois do único lugar que se pode sair é de nós mesmos. Uma viagem pela estrada da vida; cheia de aventuras, reflexões, cheia de um espírito do carpe diem, quam minimun crédula postero. Horacio estaria feliz de ter inspirado tais sentimentos nas personagens!. Como Sal  diria “mañana ,  uma palavra adorável, que provavelmente quer dizer paraíso.” (pg. 125) Mas, mesmo tendo ciência do ideário de paraíso, ninguém o quer agora. E é isso que Sal, Carlo Marx, e o entranhável Dean Moriarty sabem muito bem.

Num ambiente de descontrole, álcool, drogas e sexo (a trindade dos beat e do posterior rock’roll), Sal e seus amigos literatos vão atravessando Estados Unidos, parando em varias cidades para curtir a vida e encontrar  “aquilo”, o sentido da vida, com o absurdo da existência e a alegria da fugacidade, ao som do jazz. Os beat, os beatos. Não no sentido cristão da palavra, senão no sentido iluminado, maldito, que ilumina a escura estrada, os que sabem que o mundo está mal, porque não se adequam a ele. E ser inadaptado é sinal de saúde.

Nas próprias palavras de Kerouac e numa das melhores partes, ao meu ver:

“O piano lançou um acorde. So baby come on Just clo-o-o-ose yout pretty little eyes’. Sua boca estremeceu, ele nos encarou, Dean e a mim, com uma expressão que parecia querer dizer :Ei rapazes,  o que estão fazendo neste mundo triste e sombrio? – e então chegou ao fim da canção, mas para isso teve que fazer um final elaborado, durante o qual você poderia enviar qualquer mensagem para Garcia, umas doze vezes ao redor do mundo, mas que diferença faria isso para qualquer um?. Porque a final ali estávamos nós, lidando com o inferno e com a amargura da pobre vida beat, nessas horrorosas ruas da humanidade, e foi isso o que ele disse, o que ele cantou, ‘Close your’ e lançou seu uivo em direção ao teto, para além dele rumo as estrelas e ainda mais longe – ‘Ey-y-y-y-es’ – e cambaleou para fora do palco e ficou ruminando. Sentou-se num canto junto com uma garotada e não deu a menor bola para eles. Olhou para o chão e chorou. Era o maior.” (pg. 245-246)

Estremecedor!.

Mas, deixando o romantismo idealista-existencialista-melancólico, vamos ao que nos compete, hehehe.

O bom:  O estilo rompe com toda a “politicamente correta”  linguagem literária da sua epoca. Traz as letras para o cotidiano, cheio de onomatopeias, sonoridade, ritmo e singeleza.  O relato é bom porque é verdadeiro, eis aí a sua riqueza; sem artifícios nem subterfúgios linguisticos. No aspecto literário é – para seus contemporaneos – politicamente incorreto,  desajustado; porque a vida é desajustada; porque a vida não se apega aos axiomas pré estabelecidos pelos gramáticos de carteirinha, nem  pelos versos “canção do coração, da ilusão”. Uma total liberdade de expressão.

O ruim: O livro é arte por si só. Na arte não existe bom ou ruim; apenas expressão. E ele expressa seu grito desgarrador e guturalmente desesperado de uma maneira sublime.

Estética: Tivesse preferido um desenho melhor. O livro é amarelo claro com letras negras para o autor e marrom para o titulo. Um cadillac na parte inferior e a imagem de Jack Kerouac no costado. Muito desorganizado; não faz jus ao livro. Ou talvez a desorganização seja intencional. Nunca saberemos.

O resgatável: É melancólico sem ser triste. É triste sem ser deprimente. Depois de le-lo, ninguém quer se matar, o que é super resgatável em um escritor com peso existencial : mostrar uma via de escape para a miséria da vida e não um absurdo em si mesmo. É encorajador, é um cable a tierra; total e absolutamente recomendável. Ensina-nos que a vida é fugaz demais para nos prender ao sistema, ao modelo pré-estabelecido, aos nossos trabalhos rotinarios e medíocres. Há que dançar a vida escutando a musica, e não caminhar em forma surda e mecânica.

Podemos resgatar o seguinte, nas palavras de Dean:


“Qual é a tua estrada, homem? – a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do             arco-iris, a estrada dos peixes, qualquer estrada...Há sempre uma estrada em       qualquer circunstancia. Como, onde, por qué? (...) Não importa onde quer que eu more, meu baú está sempre preparado debaixo da cama, estou sempre pronto para partir ou ser posto na rua. Decidi abrir mão de tudo, me sacrificando, e  você sabe que isso não importa, nós sacamos a vida, Sal -  sabemos como domá-la, sabemos que o negocio é continuar no caminho, pegando leve, curtindo o que pintar da velha maneira tradicional. A final de que outra maneira poderíamos curtir?”.






Tipo de caçada: 

Ok caçadores, boa estrada para vocês!

Daniela Vidal



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por comentar, Caçador(a)!
Volte Sempre!

Para postar links nos comentários, utilize o espaço correto:
1- Clique em Comentar Como:
2- Selecione a opção Nome/Url
3- Em nome, coloque o seu nome ou nick das redes sociais.
4 - Em Url, coloque o link do seu blog ou página das redes sociais.

Pronto, assim você comenta e ainda coloca os seus dados, sem fazer spam.

Para dúvidas, sugestões ou solicitação de informações, encaminhe email para: c.delivros@gmail.com

Caçadora de Livros. Todos os direitos reservados.©
Design e codificação por Sofisticado Design