30 de abr de 2013

A Obscena Senhora D (Hilda Hilst)



Encontre o livro:
Skoob


Bom dia caçadores!
Antes de sair do país, coloquei-me como objetivo ler apenas literatura brasileira. Pedi ajuda para meus amigos entendidos no tema, e todos me fizeram uma longa lista de todas as obras primas tupiniquins que precisava ler.

Contudo, descobri, meio que pelo azar, meio que pelo “destino literário” a Hilda Hilst. Obtive o livro e comecei ler A Obscena Senhora D.

Nele, nossos protagonistas  Hille e Ehud vão nos introduzindo num dialogo profundo a respeito das coisas simples e significativas da vida: relacionamento, dia a dia, questionamentos existenciais, metafísicos, sexuais; com uma linguagem corriqueira mas muito profunda nas suas reflexões.


Senhora D, olvidada, abandonada, desamparada; dialoga a respeito da existência e veracidade de Deus com seu amigo e interlocutor Ehud. O faz também com seu pai, no leito de morte.Vai por diálogos, poesia e relatos nos introduzindo numa leitura rítmica sem nos avisar quando muda o compasso. Mistura descrição com diálogos. As personagens aparecem sem se apressentar, e temos que descobri-las no caminho. Muda de idioma, personagens e cenários sem prévio aviso nem sinal.

Uma humanização sem gênero, sem feminismo. Apenas um ser humano, aberto, palpável, sem medo de abrir a alma e aprofundar-se nos mais recônditos paragens e questionamentos existenciais. Uma leitura obrigatória para quem gosta de questionamentos existenciais e metafísicos. Relembrou-me muito Clarice Lispector, Simone de Beauvoir e até uns toques do velho Bukowski. Nem feminina nem masculina: apenas humana.

O bom: Uma rica literatura existencial e nacional, que nos leva por meio da prosa e narrativa por reflexões profundas, diárias, existenciais e nos faz suspirar, fechar os olhos e reavaliar o sentido da vida.

O ruim: Precisa de mais tempo para ler, pois, se for tua primeira leitura de Hilda Hilst, precisarás ler o livro novamente. Difícil compreensão para uma primeira leitura. As paginas são poucas, e a leitura é complexa. Não que ela não se faça compreender, senão que o livro merece uma dupla leitura e atenção. Méritos da escritora, parabéns!

Estética: Um livro de capa branca que resalta o nome da autora no lugar da obra, como se a própria Senhora D continuasse esquecida, abandonada. Não é um livro “comercial”, por isso a austeridade da estética. Um manequim degolado, sem braços nem pernas. Abandonado.

Resgatável:  Tudo!. Os diálogos complexos, a intenção de por no tapete em forma singela e quase inocente, temas profundos e relevantes. É como escutarmos uma canção, gostar de vez, mas ter a necessidade de escuta-a outra vez, para poder aprecia-la melhor nos seus acordes. Isso é ler A Obscena Senhora D por primeira vez. Queremo-la mais de perto, para poder entende-la melhor.

Tipo de caçada:   

Ok caçadores, uma boa semana para vocês!
Bom dia, boas leituras.

Daniela Vidal.

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