11 de mar de 2013

A Máquina de Madeira (Miguel Sanches Neto)




Livro encaminhado pela Companhia das Letras

Poucas pessoas sabem, já que existe pouco registro sobre o assunto, mas a percursora da máquina de escrever foi inventa aqui, nas terras tupiniquins,  pelo padre Francisco João de Azevedo. Você sabia disso, caçadora (o)? Se não, continue a leitura. Se sim, continue também. Afinal de contas, vocês não querem decepcionar o amiguinho aqui, não é?


Um pouco desse tema é trazido em A Máquina de Madeira,  romance histórico passado na metade final do século XIX, no Brasil-Império, escrito pelo Professor de Literatura Miguel Sanches Neto.

O personagem principal é, claro, o padre Azevedo, que nasceu em João Pessoa, mas vive em Pernambuco,  e se divide entre a religião e a  ciência; entre o amor a Deus e o amor à negra, a ex-escrava Benedita, com quem tem uma filha que ninguém sabe que é dele


Dentre seus sofrimentos pessoais – o padre fora abandonado pela família, não possui bens materiais, e não se sente dotado para mais nada além de inventar – talvez o principal seja o não reconhecimento pela sua “obra de arte”: a máquina taquigráfica.

Desenvolvida por ele,  a invenção tem a função de redigir discursos e sermões nas missas e facilitar a escrita. 

Genial, não?!

Não para os de sua época.

A máquina, que tem um tamanho aproximado com o de um piano, foi exposta por Azevedo na Exposição Nacional, no Rio de Janeiro, em 1861, lugar onde foram reunidas as principais invenções do país para ser apresentado ao imperador Pedro II.

Para a felicidade do padre, a máquina chama atenção de muitos. Mas apenas a atenção. O próprio imperador, ao vê-la, para, olha, olha, e sai. Sem nenhuma palavra, ou algum elogio. Ou outra coisa. Mas não. Nada. O que causa  tristeza no religioso de mãos calejadas.

Mas há uma esperança. A de a máquina ser levada para Londres, onde os principais produtos que estiveram na exposição seriam levados. O padre espera e...nada. Outra decepção.

Já naquela época, os prêmios de consolação existem, e Azevedo, ao menos, recebe uma medalha do imperador. Que não serve pra nada, segundo ele.

A invenção, para realmente dar certo, precisa de um investidor. Sem alguém desse porte, tudo estaria acabado. Seria a máquina, assim como o padre, uma órfã?

A resposta é não. Diferentemente da maneira como o padre a concebera, a máquina que viria para facilitar a escrita foi produzida. Mas...Se eu contar o resto o livro fica sem graça, não?! Deixo para vocês lerem, caçadoras(es)!

Sobre a escrita, o acabamento textual da obra é muito bem feito. Dividida em dois grandes capítulos, Londres e Nova York,  A Máquina de Madeira é um livro interessante.

O nome do livro retrata, também, o Brasil dá época, já que o século XIX foi o momento da expansão da madeira. Época na qual o Brasil exportava a matéria-prima para vários outros países, acelerando o próprio crescimento, e pensando numa futura industrialização.

Detalhe para as três últimas páginas do livro. Nelas, um suposto ataque de cupins é retratado. Esses bichinhos comem tudo o que veem pela frente. Até a escrita, que termina sem pontuação e sem sentido nenhum. 


Vamos às notas:
Capa: 10 – Achei muito bonita, apesar de simples.
Conteúdo:  7 – Uma boa história e bem contada. Algumas coisas um tanto desnecessárias, como idas e vindas no tempo. Mas nada que realmente comprometa.
Diagramação: 9 – Letras pequenas, por vezes normais, por vezes itálicas. Bem organizadinho.

Em geral, é uma caçada interessante. Mas não a melhor.


Até a próxima, pessoal.  


4 comentários:

Alyne Lemos disse...

Não senti muita vontade de ler o livro mas achei bem interessante!
Parabéns pela resenha!

Beijos.
Páginas na Estante
@pginasnaestante

João Victor disse...

Alyne, romances históricos não são livros que de fato chamam a atenção. Normalmente, quem os lê são pessoas que já se interessam pelo tema. Creio que seja esse o motivo de você não ter sentido tanta vontade de ler, hehe.

Beijos.

Kel Costa disse...

Oi João,

Achei a resenha interessante, mas o enredo do livro não me atrai :x
Tô em outra "vibe".

Bjs,
Kel
www.itcultura.com.br

João Victor disse...

Oi, Kel.

E qual é sua atual vibe?

rsrs

Beijo.

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