28 de jan de 2013

Os Últimos Soldados da Guerra Fria (Fernando Morais)



Ed. Companhia das Letras
ISBN: 9788535919349
416 Páginas

Que ser um agente secreto não é nada fácil todo mundo sabe. Os filmes de James Bond, o 007, sempre mostram as dificuldades. Entretanto, nos filmes do espião inglês, dinheiro e carros de luxo sempre estão envolvidos. Ao ler Os Últimos Soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais, você chega a uma conclusão: as coisas não são bem assim.

 Por vezes, o espião mal consegue pagar as contas.  Ao menos assim foi a vida dos agentes secretos cubanos que viveram nos Estados Unidos durante a década de 90. Eles foram recrutados pela alta cúpula do Partido Comunista Cubano para viverem em Miami e se infiltrarem em organizações de extrema-direita que eram contra o até então presidente cubano Fidel Castro, e promoviam ações para a derrubada dele do poder.

Diferente, não?! Sempre cresci ouvindo e lendo histórias sobre agentes secretos norte-americanos infiltrados em outros países, mas nunca imaginei que Cuba faria o mesmo. Mas há um motivo para isso, caro caçador.

Muitas pessoas julgam o sistema socialista da Ilha, que fica localizada na América Central, e afirmam que o governo reprime o pensamento e a liberdade de sair do país entre outras coisas. Entretanto, quanto mais você lê sobre o assunto, mais as coisas vão se encaixando e fazendo com que você realmente faça um julgamento justo para pensar coisas positivas ou não a respeito de Cuba. Os Últimos Soldados da Guerra Fria  dá uma visão bem ampla para o leitor tirar suas próprias conclusões.

Os agentes cubanos foram enviados para os Estados Unidos por conta dos ataques terroristas que a ilha estava sofrendo por meio de bombas colocadas em hotéis e em alguns outros pontos turísticos, o que afastava os turistas do país, gerando queda na então fraca economia cubana, que se dilacerou após a extinção da União Soviética, e concentrava no turismo.

Mas a vida dos agentes,  12 homens e duas mulheres, não era simples. Eles, nos Estados Unidos, tinham que manter uma fachada para não serem colocados sob suspeita. Os cubanos deveriam conseguir um emprego que os sustentassem e, depois, deveriam entrar  nas organizações anticastristas que existiam em Miami – na época eram mais de 40. Muitas delas se passavam como organizações humanitárias, o que era mentira, tendo em vista as ações que elas realizavam.

Uma vez lá dentro, eles enviavam mensagens para Havana informando dados sigilosos das organizações, o que fez com que fossem evitados vários e vários atentados em Cuba.

Durante cinco anos os agentes trabalharam em um grupo chamado Rede Vespa. Detalhe: um não sabia da existência do outro. Apenas o líder sabia da existência e do trabalho de cada um. Tudo isso era medida para evitar problemas.

Dentre as histórias maravilhosamente contada por Fernando Morais neste livro, uma das  que mais chama a atenção está logo no inicio, e é sobre o major das Forças Armadas Revolucionárias Juan Pablo Roque, que ficou conhecido no exílio em Miami como “Richard Gere” por conta de sua semelhança com o galã norte-americano.

 Pablo Roque, para realmente parecer um desertor cubano, atravessou nove quilômetros, durante sete horas) a nado a costa de Cuba até uma base naval norte-americana, não podendo ficar muito na superfície da água para não ser pego pela guarda costeira, e nem podendo ficar muito ao fundo para não ser estraçalhado pelos tubarões.

Outra célebre história é sobre Raul Ernesto Cruz León, um salvadorenho que aceitou implantar bombas em Havana (capital de Cuba) por conta do dinheiro e... por ser fã dos filmes de Sylvester Stallone, principalmente de O Especialista, no qual Stallone é um agente aposentado da CIA e profissional em explosivos.

Cruz León sonhava que, assim como o personagem de Stallone, que termina o filme com May Munro, interpretada por Shraron Stone, ele também terminaria com uma bela mulher. O que não ocorre, já que ele acabou sendo preso por policiais cubanos e decidiu confessar o crime. Ele diz:

“Sylvester Stallone terminou o filme na cama de Sharon Stone e eu iria terminar o meu diante de um pelotão de fuzilamento”

O prêmio Nobel de literatura Gabriel García Márquez também é um personagem importante ao longo da história. Em certos momentos, ele foi pombo-correio entre Fidel Castro e Bill Clinton para alguns acordos. Dá pra imaginar?

Por fim, fica claro a negligência americana em vários momentos para evitar atentados em Cuba. E que, por conta disso, eles também acabaram sofrendo.

Os Últimos Soldados da Guerra Fria é maravilhoso.



Vamos às notas
Capa: 9 – Vermelha e com letras pretas. A cor remete a ideia de Comunismo ou Socialismo.
Conteúdo:  10 – As histórias contadas são interessantíssimas. Se não fosse reportagem, seria um bom romance policial.
Diagramação: 9 – As letras não são tão grandes e o espaçamento é simples. Nada que comprometa a leitura. Um detalhe é que o livro é repleto de imagens que enriquecem ainda mais a obra.

Se você se interessou pelo livro, não deixe de conferir a resenha de Corações Sujos, outro livro de Fernando Morais. É só clicar aqui.

Até a próxima, caçadores!



7 comentários:

Sw e Su disse...

Olá, João.
Ótima resenha. Nunca li um livro com um tema assim, pois não me agrada muito. Porém, da forma que contou deu curiosidade. Quem sabe uma dia, ne.

Bjos
Suellen
Bem pra Mente

Leeh Proença disse...

Oie, João!
Nossa, realmente, se não fosse reportagem seria um ÓTIMO romance policial.Tanto que no começo da resenha eu tava até pensando se não era UHAUHAUHA
Gostei muito da resenha *-* Com certeza vou ler quando tiver a oportunidade!

Beijos,
Leeh - Hangoverat16

João Victor disse...

Sw e Su, obrigado. Leia sim. É fantástico!

Leeh Proença, com toda certeza. O assunto é muito interessante, dá até pra pensar em uma ficção a partir do real. Obrigado!

Beijos às duas!

Ariana Alves disse...

É verídico?
Legal ver um outro lado da moeda desse mundo da espionagem sem o glamour hollywoodiano.

Bjocs!

Sonia disse...

Este livro nos faz pensar em que lado da história devemos acreditar. Porque nem EUA e nem Cuba são santinhos.O pior é quem sofre é população, principalmente em Cuba (pobres, sem condições de vida, pelo menos é o que sabemos).
Por que este países que vivem brigando por poder, não se unem e fazem um mundo melhor.

soniacarmo
retalhosnomundo.blogspot.com.br

João Victor disse...

É sim, Ariana Alves. Com certeza. Fernando Morais fez um excelente trabalho.

Beijo.

João Victor disse...

Realmente, Sonia. Ninguém é inocente. Mas há alguém mais culpado que o outro, você não concorda?

Beijo.

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