26 de dez de 2012

O Filho Eterno (Cristovão Tezza)



Ed. Record
ISBN: 978-85-01-07788-2
224Páginas

Olá, caçadoras e caçadores, como passaram o natal? Espero que tenha sido legal, mesmo encontrando aqueles tios que sempre fazem aquela velha piadinha: "é pavê ou pá cumê?".

Enfim, vamos ao que interessa!

O livro de hoje se chama O filho eterno, e quando foi lançado, mexeu com o mundo da literatura de maneira positiva. Ele recebeu vários prêmios, como o Prêmio Jabuti de melhor romance;  Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) de melhor livro de ficção; Prêmio Bravo! como o Livro do Ano;  Prêmio Portugal-Telecom de Literatura em Língua Portuguesa;  Prêmio São Paulo de Literatura de melhor livro, e alguns outros.

Além disso, o livro foi traduzido para o francês e também foi premiado naquele idioma. Lá, ele recebeu o Prêmio Charles Brisset, concedido pela Associação Francesa de Psiquiatria.

Nossa! Quanto prêmio, né?! Isso mostra a qualidade da obra!

 O filho eterno é um livro que você lê e, perdão pelo trocadilho, leva para a eternidade. De prosa marcante, o livro leva leitor à reflexão por conta de sua história. 

Baseando-se na própria experiência de ter um filho com Síndrome de Down, Cristovão Tezza publicou o livro em 2007 pela Editora Record.

A obra, que é escrita em terceira pessoa,  conta a história de Felipe,  um menino que nasceu com Síndrome de Down – na época chamado de Mongolismo, e de um pai frustrado por ser um escritor que nunca publicou nada relevante.

Um detalhe na escrita, é que somente o nome do Felipe é apresentado. Nome de outros parentes ou pessoas não são mencionados. Apenas a função que cada um desempenha, como pai, mãe, tio.

O pai vivia, no começo dos anos 80, nas custas de sua esposa. Ele foi um jovem rebelde, que pensou que poderia mudar o mundo enquanto vivia em uma comunidade teatral, que era quase um grupo hippie, e morou em Portugal durante a Revolução dos Cravos, e na Alemanha, onde passou algumas situações inusitadas, que são contadas no livro.

Se antes do nascimento do primeiro filho, o pai  já era uma pessoa amargurada com a vida, após o nascimento do Felipe,  o desgosto aumentou. Isto porque o menino nasceu com Síndrome de Down, algo que não era esperado pelos pais – e principalmente por ele. Além disso, a doença era mal-vista na época. Poucos lugares eram preparados para saber lidar com pessoas com este tipo de deficiência.

O menino, que era para ter vindo ao mundo para trazer esperança ao pai, trouxe decepção. Por vezes, o pai, por conta da decepção de ter um filho diferente, tinha esperança que seu filho iria morrer. Só assim ele pensava que poderia voltar a ser feliz, ou menos triste.

Sua vontade de ver o filho morto era tanta, tanta, que ele já imaginava como forjaria a tristeza, como choraria lágrimas falsas, como receberia as condolências dos amigos próximos, mesmo sabendo que, no fundo, era aquilo que ele queria.

Entretanto, a morte de Felipe não veio.  Com o passar do tempo, o pai começa a buscar alternativas. Uma delas é a esperança de que os médicos erraram e Felipe não tem a síndrome, ou que o Felipe, se for bem tratado, irá se curar e poderá ser normal, como qualquer outra criança. O que não acontece.

Felipe, com o passar do tempo, vai se desenvolvendo. Pouco, mas vai. Ele aprende a desenhar, a balbuciar algumas palavras, vai à natação. Entretanto, o pai não consegue aceitar. Além do mais, o pai continua escrevendo livros e recebendo respostas negativas das editoras, enquanto trabalha como professor universitário.

O nascimento do segundo filho, que na verdade é uma menina, e sem nenhum problema, o amadurecimento como pai, a carreira acadêmica, a publicação de um romance bem aceito pela crítica (Trapo), fazem com que o pai comece a entender quem realmente é Felipe.

A história é realmente fascinante. Somente quem a lê, sabe o prazer que a escrita de Tezza pode proporcionar. Realmente incrível!




Vamos às notas:
Capa: 8 - Simples. Nada sofisticado demais. Na edição que eu comprei, que é a 13º, o nome de alguns dos prêmios que o livro recebeu são exibidos na capa, chamando mais a atenção do possível leitor. Boa sacada da editora.
Conteúdo: 10 - A forma da escrita, o conteúdo original, e o desenvolvimento da história são excelentes. Impossível dar outra nota.
Diagramação: 8 - Simples. Folhas não muito amareladas e letras de tamanho normal. Nada que atrapalhe a leitura.

Por fim, gostaria de agradecer a Thaís Flausino, que foi quem me deu este livro, e também o Corações Sujos, de Fernando Morais, cuja resenha está aqui. Valeu, Thaís!

Aguardo os comentários!
Até.





4 comentários:

Jessica Gomes disse...

Olá, João!

Tenho acompanhado suas resenhas e gosto muito da forma como você escreve! Achei a resenha de hoje meio séria, mas deve ser porque o assunto é meio sério...
Eu já li esse livro e o que você escreveu realmente faz sentido!!!

O autor nos prende de uma maneira sensacional. Depois que li a resenha, fiquei com vontade de ler o livro novamente.

Beijos e bom fim de ano.

Criticando por aí - Caroline disse...

É realmente uma história de vida. Gostaria muito de ler este livro :)

Beijos,
Caroline, do Criticando por Aí

João disse...

Gostei da resenha.
Já tinha visto esse livro, porém pela capa não tive aquele impulso pra conhecer mais sobre ele.

Sonia disse...

Histórias assim que nos fazem refletir. As pessoas não podem ter tudo o que querem e aceitar os acontecimentos e vivencia-los.

soniacarmo
retalhosnomundo.blogspot.com.br

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