30 de dez de 2012

Carcereiros (Drauzio Varella) @ciadasletras


Livro encaminhado pela Ed. Cia das Letras

Já pensou em passar os dias dentro da cadeia? Aposto que não! Mas imagine, então, se você tivesse a oportunidade de saber, mesmo que pouco, sobre o que acontece atrás das grades na visão de quem as guarda?


É isso que Carcereiros, ao menos, tenta fazer.

Além de um médico muito respeitado no Brasil, Drauzio Varella é um bom contador de histórias. Se ele mostrou essa característica com o livro Estação Carandiru em 1999, com toda certeza ele confirmou essa faceta em 2012 com Carcereiros.

Estes livros, por sinal, compõem a trilogia Carandiru, que será finalizado com o Prisioneiras, sem data para lançamento ainda.   


O livro, que não é um romance, muito menos uma grande-reportagem, nada mais é que histórias sobre as pessoas que ficam atrás das celas, mas não são presos. São eles, os carcereiros, ou agentes penitenciários.

Como um bom repórter que ouve tudo e conta exatamente o que ocorreu, Drauzio Varella reconstrói fatos mostrando a visão de quem os passou, além de acontecimentos que ele também presenciou.

O ponto positivo do livro é que, apesar de contar situações extremas, como quando a Polícia invadiu o Carandiru, há também histórias sobre os carcereiros, que, por vezes, são engraçadas,  como a de Sombra, cuja esposa o mandou embora de casa sem ele ter realmente a traído. Nessa história, Varella surge como um prosador cômico, já que é possível gargalhar das mesmas enquanto se lê.

No livro também há espaço para críticas ao sistema carcerário e à população em geral, que, nas palavras do autor, faz descaso com os detentos.

Logo no inicio, o médico deixa claro que, por vezes, os nomes dos personagens foram alterados, para não compromete-los, já que alguns ainda se encontram em atividade até hoje.

Dentre todas as histórias, a mais emocionante, e que poderia ser roteiro de cinema, foi a intitulada “Fuga Sangrenta”, que relata o dia em que Luizão, o então diretor-geral do Carandiru, quase foi morto várias vezes. Em uma das tentativas de assassinato, foi salvo por utilizar um colar de São Jorge.

O médico-escritor consegue humanizar bandidos que fizeram as piores coisas possíveis. Isso, só um bom escritor consegue, o que comprova a qualidade da escrita de Drauzio.

A construção do texto, de forma simples, por vezes, dá impressão no leitor de que é um papo-de-boteco, e que o Drauzio é um amigo de longa data, que conta os causos que presenciou, enquanto bebe uma cachaça, ou uma cerveja – algo que ele realmente faz, ao menos uma vez por mês, com os seus amigos carcereiros, para ouvir as histórias que eles contam.

O livro é muito bom. 



 Vamos às notas:
Capa: 10 – A letra “O” combinando com o nome do autor dá um destaque ao livro. Além do mais, a foto de Drauzio parado no portão do Pavilhão 5 do Carandiru, dá a ideia do enredo do livro.
Conteúdo: 8 – São histórias boas, emocionantes e por vezes engraçadas.
Diagramação: 7 – As páginas são feitas com papel pólen e as letras são pequenas, apesar de ter sido muito bem diagramado. Tudo no livro dá a impressão de combinar.

Aguardo o comentário de vocês.

Um abraço e feliz 2013 a todos.

4 comentários:

Gustavo disse...

Gostei desse livro rsrs

Kézia Lôbo disse...

Interessante a dica... diferente... parece bom.

Khrys Anjos disse...

Pela resenha parece ser um documentário que narra a vida por trás das grades. Me deixou intrigada.

Um leve bater de asas para todos!!!!!

Sonia disse...

Livro bem interessante, trata de histórias reais em nosso próprio país. Acho que deve funcionar como um raio X da nossa história.

soniacarmo
retalhosnomundo.blogspot.com.br

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