17 de dez de 2012

As pequenas memórias (José Saramago)




Ed. Companhia das Letras
ISBN: 85-359-0929-x
144 Páginas

Caçadores e Caçadoras, quando tempo, hein? Senti a falta de vocês, de estar aqui, de compartilhar os livros e os copos de café com os leitores mais cut-cut (seria eu o Marcelo Tas?) da internet.

Por conta disso, o livro de hoje é especial. Especial para você, que está chegando ao fim de mais um ano,  e que, antes de passar para 2013, irá se lembrar de tudo que fez nesse 2012 - se o mundo não acabar no dia 21, é claro.

Pegando um gancho nesse "lembrar" do ano, trago hoje para você um livro que lembra, ou melhor, de um autor que lembra de seus tempos de piá, como se diz aqui na minha cidade, Maringá (PR) (Alguém já ouviu falar dela?), isto é, de sua infância.

O brilhante José Saramago, neste livro, escreve uma autobiografia diferente: ele conta parte de sua infância até os 16 anos. O livro, que demorou mais de 20 anos para ficar pronto, é realmente uma obra-prima.

Quem conhece a escrita de José Saramago fica surpreso ao ler “As pequenas memórias”. A autobiografia, se é que pode ser chamada assim,  foi lançada em 2006, e é não-linear (os detalhes serão apresentados no decorrer da resenha). Apesar de ter sido publicada há seis anos, ela ainda soa atual. Por esse motivo a escolhi.

Preparados para um mergulho, mesmo que raso, no conteúdo desse livro? Então vamos!
Nele, o escritor, chamado por muitos de pessimista, mostra quem é. Ou melhor, quem foi, já que, infelizmente, o autor português morreu em 2009 – que Deus o tenha, ou não, já que Saramago era ateu.

“As pequenas memórias” é uma obra encantadora. Logo na abertura, o amor fica solto no ar. Quem é fã do português que recebeu Nobel de Literatura de 1998 sabe da paixão dele por Pilar Del Río, que está junto com ele desde 1988, e que a maioria dos livros publicados pelo português, são dedicados a ela.
Neste livro, não é diferente. Saramago escreve:
 “A Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar”
Para os leitores do escritor português, esse livro é uma dádiva. Para os não-leitores mas que, após lerem essa resenha, o serão, o livro é o passo inicial para saber quem foi esse escritor tão aclamado. E, principalmente, quem foi ele durante a infância e adolescência.

Só um aviso: não espere autobiografia detalhada, como as dos astros da música pop. Isso não ocorre. Saramago, para ser diferente, como sempre é, conta recordações que, por vezes, ele mesmo diz que podem ser mentiras, já que faz muito tempo que ele as viveu, e que podem ter sido inventadas por sua imaginação no momento em que estava escrevendo o livro.

Outro detalhe é que os fatos não são contados de maneira linear. Por vezes, o autor conta um fato da mocidade, e depois volta à infância.

A Companhia das Letras, que publica o autor aqui no Brasil, não traduz o português de Portugal para o português Brasileiro, o que é fascinante, e deixa a obra mais original ainda, e que, por vezes, conta com a escrita da forma como o autor fala, como a expressão “claro está”.

Pequeno e de linguagem simples, “As pequenas memórias” tem um gosto especial para quem já ouviu a voz de José Saramago. Por vezes, durante a leitura, é como se ele estivesse contando a vida para o leitor, já que, em certos momentos, ele faz um diálogo com quem está lendo.

A surpresa fica por conta dos fatos engraçados da infância de Saramago,  como a frustração dele  por nunca ter andado em um cavalo, mesmo tendo  um tio que era um guarda destes animais; ou de Pezuda,  uma mulher que era vizinha dos tios do autor e que, por ter os pés enormes, era apelidada por essa alcunha pela criança José,  que um dia a chamou por esse nome sem querer, e a ouviu dizer que o marido dela acertaria as contas com ele.

Outra recordação engraçada que Saramago tem é sobre Domitília, a menina que ele apalpou aos 11 anos (curiosidade da idade), mesmo não sabendo exatamente o que estava fazendo, mas estava gostando.

Outra história engraçada, e especialmente curiosa,  é a origem do nome Saramago. “Saramago” é uma planta comestível, e, segundo o português,  era um apelido pelo qual as pessoas da aldeia onde morava chamavam a família dele. O fato curioso é que o nome de Saramago – o escritor – era para ser  José de Sousa, assim como o do pai dele. Entretanto, o funcionário que fez o registro do bebê José estava bêbado, e acrescentou o Saramago ao nome do autor.

Tal problema só foi descoberto quando o português tinha sete anos e estava indo para o primário. E que, por alguns problemas burocráticos, seu pai teve que acrescentar o Saramago ao seu nome.  E o autor brinca com a situação:

 “Suponho que deverá ter sido este o único caso, na história da humanidade, em que foi o filho a dar o nome ao pai.”
"As pequenas memórias" é fascinante. Simples, gostoso e bem escrito.




Vamos às notas
Capa: 10 – As capas que a Cia das Letras faz para os livros de Saramago são impecáveis. Dessa vez foi utilizada a gravura em metal Éclatement tellurien.
Conteúdo: 10 – Bem escrito, histórias gostosas e fascinantes. Impossível dar menos.
Diagramação: 8 – Como é um livro mais leve, poderiam ter variado a cor da folha, que é branca, e o tamanho da fonte, que é a mesma que dos outros livros.

Até a próxima!



4 comentários:

Aline T.K.M. disse...

Sendo admiradora do trabalho de Saramago, preciso dizer que gostei muito da sua resenha. Ainda não li esse livro e quero muito comprá-lo. Gosto muito do estilo de escrita do autor e acho também que manter o texto como no original torna as obras dele especiais.
Ah, não sabia dessa história do sobrenome dele, gostei!

bjs,
livrolab.blogspot.com

João disse...

Gostei da sua resenha, chará.
A Fernanda tinha me falado que você iria postar sobre o Saramago.
Fico feliz, que hoje o CDL tenha uma equipe completa e diversificada.
Até outro dia.

João Victor disse...

Obrigado pelos elogios, pessoal.
João, pois é, rsrs. A blog realmente está bem servido de caçadores.
Futuramente falarei mais sobre Saramago. Tem muita gente que frequenta o blog e não o conhece.
Continue visitando o CDL.
Abraço.

Sonia disse...

Até hoje não li nenhum livro de Saramago. Este me despertou a vontade. Obrigada.

soniacarmo
retalhosnomundo.blogspot.com.br

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