26 de nov de 2012

Resenha: Uivo e outros poemas (Allen Ginsberg)



Ed. L&PM Pocket
ISBN - 978-85-254-1022-1
208 Páginas



Dia 7 de outubro de 1955.  Um recital poético mudaria os rumos da poesia norte-americana, e do restante do mundo. Na “Six Galery” – uma espécie de café – Allen Ginsberg, juntamente com outros cinco poetas,  entraram para a história. Foi naquele ambiente que a primeira parte do poema “Uivo”, que dá o nome ao livro de hoje, foi lido.

Mas você não conhece o autor e nem a obra dele? Ah, não tem problema.  A resenha de hoje  pode resolver este problema. Que ela comece, então.

Allen Ginsberg foi um ícone da Geração Beat e defensor dos direitos dos homossexuais. A Geração Beat foi um movimento  dos anos 50  que antecederam os hippies.  Ginsberg, juntamente com Jack Kerouac , Neil Cassady e alguns outros escritores, foram considerados os “pais” da contracultura norte-americana. Estes jovens escritores romperam com os paradigmas da sociedade americana e fizeram de suas viagens a própria vida, e de suas vidas, uma grande viagem.
Neste ano (2012) a Geralção Beat esteve em alta. Ao menos no cinema. O livro “On The Road”, de Jack Kerouac,   considerado o livro mais importante do movimento ao lado de “Uivo e outros poemas”,  foi adaptado ao cinema. Se você nem se quer ouviu falar nisso, mas já despertou interesse pelos "beats",  assista o trailer clicando aqui

Assim como “On The Road”, “Uivo e outros poemas” foi um marco na história literária americana. Ele não é feito de poemas convencionais, falando de vida, amor, amizades.  Por isso já aviso: Se você foi um viciado em Caio F. Abreu, e até mesmo Carlos Drummond de Andrade, com toda certeza do mundo ficará surpreso, até mesmo assustado com o que ler neste livro.

Ele é recheado de realidade nua e crua. Sexo, drogas, aventuras, homossexualismo e histeria.  Essas cinco palavras podem resumir os poemas contidos no livro, que foi escrito em 1955, publicado em 1956, e em 1957 foi censurado perlo conteúdo sexual e explícito. Ou seja: o livro mal chegou e já causou problemas!

Tais problemas só ajudaram as vendas de “Uivo e outros poemas”.  Após vencer os processos e poder ser vendido, o livro vendeu milhares de cópias, fazendo com que seu autor se tornasse um líder, chamado às vezes de profeta por aquela geração que não queria se calar.

A versão que eu tenho da obra foi lançada em 2010 pela L&PM Pocket, que além dos poemas originais que vieram no livro, vem também com mais dois livros: “Kaddish e outros poemas” e “De Sanduíches de Realidade”.

“Kaddish” reúne poemas entre 1958 e 1960. O poema de abertura se chama “Kaddish para Naomi Ginsberg”. Naomi é a mãe de Allen, e é retratada no poema como um doída-comunista-judia.  O poema é extenso. Lido em voz alta, ele dura aproximadamente uma hora. Sim, isso mesmo. Uma hora.

“De Sanduiches” reúne poemas concretistas,  às vezes abstratos demais. Mas para quem gosta de experiências novas, vale a pena ler.

Na edição L&PM Pocket,  antes de começar os poemas, há uma introdução de poeta e tradutor brasileiro Cláudio Willer, que ajuda a “clarear” um pouco mais a mente de quem for ler a obra. Em muitos momentos existem notas para explicar o que o autor quer dizer, pois existe muita alusão a outros livros dele próprio, e alguns momentos pessoais.

Um detalhe interessante é  a forma como o poeta beat escreve. Existem poucas pontuações em todo o texto. Segundo o próprio autor, são “fluxos de consciência”, e devem ser lidos sem parar. É um desafio e tanto para quem não está acostumado.

O primeiro poema, “Uivo”,  é dedicado a Carl Solomon, um escritor neodadaista que Allen conheceu quando esteve em um manicômio – sim, ele já esteve em um – entre 1948 e 1948.
Em minha opinião, é o melhor poema do livro. E, garanto: é impossível lê-lo só uma vez por sua qualidade, e pelo seu rompimento com as maneiras tradicionais de escrita.

Em vários momentos, o poeta cita suas próprias experiências de vida. Desde os tempos de faculdade, até as viagens que fez juntamente com seus amigos. Existem poemas que fazem referência ao judaísmo, ao budismo,  à política norte-americana. Ou seja, o livro é bem interessante para quem quer conhecer a literatura beat.

Quem quer se aventurar pela Geração Beat, ou até mesmo ler algo não tão comum, deve ler obrigatoriamente “Uivo e outros poemas”.

Em 2010 foi lançado o filme "Howl", com o ator James Franco no papel de Allen Ginsberg. O filme conta a história de produção do livro, da primeira leitura no "Six Gallery" e do processo que a obra enfrentou. O trailer você confere aqui.

Ah, antes que eu dê as notas, aqui vai um vídeo com a leitura de "Uivo", feita  pelo autor. Se você tiver um inglês razoável, com certeza entenderá boa parte dos 27 minutos de poema. Apesar de ser longo, vale a pena cada segundo. Lembrando que não há imagens, apenas áudio.




 Vamos às notas
Capa: 7 - Simples. Nada fora do comum. 
Conteúdo: 10 - O rompimento com os clássicos, a criação de uma contracultura e liberdade que o livro trouxe merece essa nota.
Diagramação: 7 - Folhas brancas e letras pretas. Simples, também. 

No geral, o que vale mesmo é o conteúdo do livro.
Até a próxima.


 

6 comentários:

Juliana K disse...

Caramba!
Sem pontuação?
Apesar da polêmica, acho que não é um livro para o meu "timing"...

Luisa Cullen disse...

Livro new age demais pra mim. ^^

Thais Vianna disse...

Não sou muito fã de poemas. Apesar de ficar um pouco curiosa tenho a impressão que não vou gostar desse livro.

Thais Vianna
@dathais

Jordana Broering disse...

O livro parece ser muito bom. Acho contracultura um dos temas mais interessantes para se estudar na história =) E o livro já está na minha lista.

Beijinhos
@Jordanabroering

Sonia disse...

Não conhecia a Geração Beat. Foi bom ler esta resenha, está com muitas informações, apesar de poesia não ser o meu forte, atiçou a curiosidade, para ver o que está escrito.

soniacarmo
retalhosnomundo.blogspot.com.br

Lynn Dz, disse...

Muito boa resenha sobre o livro! A Geração Beat realmente mudou minha vida, como Bob Dylan disse sobre On The Road haha.
Parabéns pela publicação.

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