1 de jul de 2012

#05 Caça Clássicos: O Alienista e Casa Velha (Machado de Assis)



Olá caçadoras e caçadores.
Dos livros de Machado de Assis o que sempre me chamou mais a atenção foi o Alienista e a Martim Claret vem fazendo um excelente trabalho em juntar vários textos em um único volume, assim a resenha deste mês é dupla vamos comentar o Alienista e Casa Velha.


Editora Martin Claret
ISBN: 978857232750
154 Páginas
Há quem goste e mesmo idolatre a narrativa de Machado, bom não sou uma dessas o estilo realista do qual faz parte não é um dos meus preferidos, há uma preocupação com detalhes que para mim são desnecessários, mas como constantemente venho defendendo um autor é fruto de seu tempo e ele escreve imbuído das teorias que os cercava e nesse caso o determinismo reinava. Contudo a crítica que o autor faz à hipocrisia da sociedade brasileira é fantástica.
Em O Alienista o médico altamente conceituado e de grande prestigio resolve dedica-se a psiquiatria e a partir do que ele acha “o certo” passa julgar aqueles que lhe parece diferente e interná-lo em seu hospício como loucos. Deste modo o prestigiado Doutor sai internando aquele que perdoa uma dívida, a senhora que acredita em superstições, o amigo bajulador e até a esposa indecisa. Não tarda até a população se revoltar, em minha opinião a tônica do livro está justamente em como a população encara o Dr. Bacamarte, em um primeiro momento como um prestigiado médico, depois como um tirano que interna a todos segundo seu bel prazer e por fim como um dos melhores homens que já existiu. Outro ponto interessante é com Machado coloca a ciência com sua busca pela verdade na berlinda, duvidando mesmo se os tão aclamados cientistas são de fato merecedores de tanta admiração ou mesmo se estão corretos. O enredo de o Alienista é um prato cheio para discussões acadêmicas e filosóficas, a ironia e os sarcasmos presentes no texto podem até ser divertidos para alguns, mas não vou enganá-los, a obra pode se tornar uma leitura chata para quem busca apenas diversão.


 A outra obra que este volume traz é Casa Velha, mais desconhecida do grande público esse texto só foi publicado como livro após a morte do autor, anteriormente ele saiu como folhetim nas páginas do jornal A Estação. Quase como um ensaio para sua obra máxima Dom Casmurro, Casa Velha retrata a luta do amor de um jovem casal, Felix e Lalau, contra as mentiras da matriarca da família, Dona Antônia, que não admite o casamento do filho rico e bem educado com uma “cria” da casa com condição social inferior.  Sua obsessão em “salvar” o filho da desgraça social chega ao ponto de afirmar que Felix e Lalau são irmãos e assim impedir o romance, provocando o sofrimento no casal. A história é narrada pelo olhar do cônego que tenta mediar os conflitos e acaba descobrindo as mentiras, mas apesar de solucionado a artimanha da megera, não temos um “e viveram felizes para sempre” Lalau prefere a dignidade e eu acrescento o orgulho e a liberdade ao amor e resolve seguir outra vida longe da Casa Velha. O interessante nessa obra é a dualidade entre o cônego, que apesar de representar a igreja, se coloca como o novo e até o contestador da ordem e Dona Antônia, com o velho e tradicionalismo hipócrita da sociedade da época.
Novamente Casa Velha é uma obra perfeita para debates e resgates históricos mas para mim foi uma leitura chata e desmotivante.
Assim sendo a classificação ficou assim:
A capa é 8.0 Pessoalmente achei a capa linda, parece-se muito a uma capa de HQ toda em um tom meio sépia que contrasta com o colorido do Doutor, eu pessoalmente adoro capas que parecem quadrinhos, contudo ela refere-se apenas ao Alienista e o volume traz dois textos, ao contrário do que fizeram com o volume de “Frankenstein, O Médico e o Monstro e Drácula”(ver caça - clássicos #04) onde capa valeria para as três obras, esta privilegia uma obra em detrimento da outra.
O conteúdo é 8.0, Apesar de pessoalmente não gostar da narrativa de Machado de Assis, a critica que ele faz a hipocrisia da sociedade do séc. XIX é fantástica e com certeza nos serve de fonte para muitas análises. Há também uma apresentação bem feita sobre o autor, o estilo Realista e o contexto histórico em que os textos foram escrito. No final do volume há um guia de leitura e algumas questões de vestibular, demonstrando claramente o público alvo a quem foi preparado este volume.
A diagramação é 6.0 as páginas são brancas com tamanho de letras e espaçamento entre linhas mínimas, dificultando a leitura principalmente à noite.  Outra coisa que me chateie e que parece ser um constante em alguns livros com “formatos de bolso” são as margens tão aproximada do miolo do livro, nos obrigando a abri-lo exageradamente. A impressão que tive era que eles queriam apenas economizar páginas. Se o livro ficasse um pouquinho mais grosso não prejudicaria em nada a leitura e acredito que o leitor ficaria bem mais satisfeito com letras maiores.

No mês que vem voltamos com um clássico da literatura internacional e dessa vez um dos meus preferidos!
Evoeh! E até a próxima!

Nota de Esclarecimento: Escrever nunca é algo imparcial, ao contrário é extremamente subjetivo, o texto carrega sentimentos e impressões de quem o escrevem e por mais que ele não pertença mais ao autor quando é publicado, já que o leitor o resignifica segundo sua vontade, ainda fica implícita marcas fortíssimas de quem escreve. Acredito que a leitura também seja assim, o estado de espírito interfere em seu julgamento, às vezes um livro pode ser detestável em determinado momento e em outro pode ser lindo e vice versa.  Afirmo isso para explicar que apesar da genialidade tão apregoada de Machado de Assis, ele nunca foi um dos meus autores preferidos, talvez porque sempre que o leia esteja em um estado de espírito complicado, e nunca fui envolvida pelas teias do “Bruxo”, como ele foi chamado. Por tudo isso, peço desculpas a quem não gostou da resenha, sei que Machado tem legiões de fãs e críticos renomados ao seu lado, mas como falei anteriormente a leitura é algo pessoal e intimista.

Evoeh! Outra vez ^^

SORTEIO: Iremos sortear entre os comentaristas, um exemplar do livro resenhado, assim que conseguirmos 15 comentários nessa resenha.
Para concorrer, basta seguir o @c_delivros e comentar colocando o seu nick do twitter.



Um comentário:

Jessica Pinho disse...

Obrigada pela resenha. Já tinha lido O Alienista no Ensino Médio e a ideia mais interessante do livro é o fato de julgarmos os outros como loucos só porque pensam diferente de nós. :) Ainda não li Casa Velha. Vou pesquisar.

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