31 de mai de 2012

Caça Autores: Flavia Cristina Simonelli




“Todos os personagens habitam de uma maneira consciente  ou inconsciente a mente de quem os cria”, afirma a autora.






Flavia Cristina Simonelli
“O mais difícil para mim foi transformar em palavras o drama da morte”.

Nascida em São Paulo, estudou no colégio Dante Alighieri e se formou em Letras e Administração pela Universidade de São Paulo. Em 2001, iniciou seus estudos de Antroposofia, vindo a concluir, anos depois, a Formação de Pedagogia Curativa e Terapia Social e em 2008, começou a cursar Formação Biográfica pela Escola Livre de Estudos Biográficos, com o intuito de aprofundar seus conhecimentos do desenvolvimento da vida humana, com base nas leis biográficas. Publicou seu romance de estréia, A Porta, em 2007.Por Alair Lemes


Caçador - Escrever Paixão e Liberdade fez você pensar nas mulheres brasileiras? Tem alguma influência no livro de alguma personalidade atual em sua vida?
Flavia - O livro Paixão e Liberdade traz um ponto de vista profundamente feminino. Até mesmo os personagens masculinos surgem pela ótica das mulheres, a partir de suas expectativas, seus medos, enfim, suas emoções vivenciadas. Eu me inspirei na busca da mulher pelo amor, na sua necessidade de amar, de dividir sua vida, de se doar. Porém, nessa busca, muitas vezes, nós mulheres nos esquecemos de que o amor se doa, não se exige, muitos menos se mendiga. A mulher tem uma força interna que desconhece, é ela quem pode encaminhar o homem para a descoberta do amor.


Caçador - Qual é a principal diferença entre você, a Camila e Isabel? Ou talvez tenha algo de você nelas?
Flavia - Todos os personagens habitam de uma maneira consciente ou inconsciente a mente de quem os cria. Nada pode surgir por acaso, sem que haja alguma referência interna. O que eu posso dizer é que tanto Camila quanto Isabel possuem questões queviveram em mim. Minha experiência como autora me mostra que o que é escrito se liberta e esse libertar-se permite que se faça um espaço vazio, onde algo novo possa ser criado. Ou seja, o que me impulsionou a criar o drama de Camila e Isabel foi para o mundo e não pertence mais a mim. É uma história que agora independe de mim e ressoa no interior de quem a lê, das mais diversas maneiras. E é justamente esse processo que permite que o escritor se renove, que encontre outros impulsos, outras questões dentro de si para transformar em histórias. Senão, o escritor se esgota, torna-se repetitivo.

Caçador - Como se sente em relação a Camila e Isabel?
Flavia - Isabel encontrou-se como mulher, conseguiu amar-se, expressar-se e pôde ocupar o seu lugar no mundo, ao dar vazão ao seu talento. Concretizou o sonho de escrever e com isso tocou sua própria essência, sentiu-se plena. Isabel superou a dependência emocional, encontrou a liberdade e pôde então encontrar o outro.  Camila foi em busca da sua realização, primeiramente equivocada e cheia de ilusões, e depois, ao trabalhar pela vida, começou a se reencontrar humanamente. Porém, não se libertou da culpa que carregava e viveu o drama do seu destino.

Caçador - No livro vemos que o passado ficou com um enorme gancho, algo não muito bem resolvido. Qual a importância do reencontro das personagens para o futuro de suas vidas?
Flavia - Foi um daqueles encontros mágicos que a vida às vezes nos reserva, quando se forma um cálice capaz de acolher as confissões que saem do mais recôndito da alma. Tanto Camila quanto Isabel puderam compreender algo a mais de suas vidas a partir desse encontro. É o outro que nos permite acessar a nós mesmos, os encontros nos fazem ver o que não veríamos sozinhos. Assim, na verdade ninguém caminha só, embora a trajetória pareça profundamente solitária.

Caçador - Como teve a certeza de que precisava escrever esse livro?
Flavia - Uma história nasce com uma inquietação. Eu queria compreender a liberdade, que não é apenas poder fazer o que se quer. Mas expressar o que se é. Porém, às vezes levamos uma vida para sabermos quem somos e como podemos colocar nossa essência no mundo. Como transformar os ideais em ações, como ser autênticos, verdadeiros e sobretudo reconhecer quais são as nossas verdadeiras intenções. Ninguém é livre vestindo máscaras, refugiando-se no medo, na raiva, na culpa, na posição de vítima. Somos livres enquanto nos desvencilhamos de padrões de pensamentos, de comportamentos, e vemos quem somos. Aí, podemos nos amar, nos perdoar, nos libertar.

Caçador - O livro é engrandecedor e emocionante do inicio ao fim. Mas qual foi o momento mais delicado enquanto escrevia?
Flavia - Os momentos em que tentei transformar em palavras o drama da morte.

Caçador - O resultado do livro ficou diferente do que você imaginava? Algo mudou desde a ideia original?
Flavia - Alguma coisa sempre muda, sempre há algo que toma um a outra direção. Por isso, escrever é surpreender-se a cada linha. A cada palavra.

Caçador - Dois romances publicados e quais são os planos agora? Tem mais livros maravilhosos a caminho?
Flavia - Meu terceiro romance vai ser publicado ainda este ano.

Caçador - O que é essencial no dia a dia para você?
Flavia - Justamente separar o que é essencial e o que é acessório! Gosto de ter alguns momentos para contemplar a natureza, e pode ser apenas uma flor. É uma maneira de entrar em contato comigo. Esse momento de silêncio interior é fundamental.

Caçador - Você acredita que os blogs literários são importantes para a divulgação da literatura nacional e internacional? Como avalia a sua recepção?
Flavia - Importantíssimos! Continuem lendo, fazendo resenhas, divulgando. Agradeço muito a você e a todos os blogs que resenharam meu livro.

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Até semana que vem.
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