20 de abr de 2012

Caça Autores: Renata Ventura



 Para conferir a resenha do livro clique aqui

Antes de tudo, gostaria de te agradecer Renata, por conceder essa entrevista ao nosso blog, e espero que você se divirta respondendo as perguntas tanto quanto eu me diverti as escrevendo e, principalmente, lendo o seu livro! (Que é maravilhoso!).
Então, pra começar, me diga:


  1. Quando você soube que queria ser uma escritora?
Eu sempre quis ser escritora. Desde criança! Meu primeiro livro (se é que posso chamar de livro) eu escrevi com uma amiga minha quando a gente tinha uns 12 anos de idade. Ele tinha quase 100  páginas e eu lembro que, na época, achei enooooorme! rsrs Era sobre duas meninas que sobreviviam à explosão de um shopping e se descobriam envolvidas em uma trama internacional.


  1. Sua família aceitou bem a sua escolha de profissão?
Aceitou sim. Eles são meus maiores incentivadores. Meus pais leram o livro várias vezes, revisaram comigo, deram ideias, fizeram propaganda... Muita propaganda! ;-)

  1. Agora falando sobre o livro: De onde surgiu a ideia de criar uma escola de bruxaria no Brasil? E como foi o processo de desenvolvimento dessa ideia?
A ideia surgiu de uma entrevista com a J.K. Rowling, criadora do Harry Potter. Durante essa entrevista, um fã norte-americano lhe perguntou se ela planejava algum dia escrever sobre uma escola de bruxaria nos Estados Unidos. Ela respondeu que não, mas que ele podia ficar a vontade para escrever a respeito.
Foi então que eu resolvi escrever sobre uma escola de bruxaria no Brasil. Minha primeira certeza era que queria meu personagem principal vindo de uma favela. Algum lugar que fosse bem violento na época (1997). E, a partir dessa ideia, toda a história surgiu.
Como Hugo vem de um lugar violento, e como ele sempre sofreu com alguns dos bandidos da comunidade, ele é um personagem completamente diferente do Harry. Ele é arisco, está sempre na defensiva... muitas vezes reage com mais agressividade do que o necessário, porque foi assim que ele conseguiu sobreviver durante sua infância toda.
Como consequência dessa primeira ideia de que Hugo teria vivido uma infância violenta, todo o resto da trama foi ficando muito diferente de Harry Potter. Até porque Hugo cria seus próprios problemas . É ele que realmente move a história; não algum vilão externo.


  1. Você já sofreu algum tipo de preconceito gerado da ignorância de alguns fãs da saga Harry Potter a acusando de plagiar a história da autora J.K. Rowling? Como você reage a esse tipo de acusação?
Na verdade, não. Os fãs de Harry Potter tem sido super gentis comigo, ficam muito interessados em saber como seria uma escola de bruxaria no Rio de Janeiro, e comentam, depois de ler, que adoraram as referências que eu faço a Harry Potter. Há várias escondidas pelo livro. Algumas, só os fãs mais fanáticos conseguem captar. É quase um desafio particular deles, encontrar todas as referências.
E o comentário que eu mais ouço dos fãs de Harry Potter é de como meu livro é, na verdade, bem diferente, e de como eles adoraram essa diferença. Porque eu pego o mundo do Harry Potter e  eu viro esse mundo de cabeça para baixo! rs
Meu livro fala muito do Brasil. Dos problemas brasileiros: corrupção, drogas, educação precária, analfabetismo... E fala também da cultura brasileira, do folclore, da magia... da malandragem... Por todas essas razões, ele é bem diferente de Harry Potter. :-)


  1. Fora do livro, podemos perceber que você tem uma relação muito próxima com os seus personagens. Como funciona o processo de criação e desenvolvimento de um personagem dentro das suas histórias?
Para criar os personagens desse livro, eu segui uma estratégia bem brasileira: eu pesquisei os signos deles. No Brasil, a gente tem essa mania de perguntar o signo da pessoa, mesmo sem acreditar em astrologia. rsrs. Então, eu usei isso, inicialmente, para criar as personalidades dos personagens. Só faltou fazer o mapa astral deles, rs.
Depois dessa pesquisa inicial dos signos, os personagens começaram a ganhar vida,  adquirindo outras características que eu fui descobrindo enquanto escrevia. Os personagens foram me surpreendendo, até que chegou um momento em que eu percebi que não tinha mais controle sobre eles. E quando eu descobri isso, achei o máximo. Hoje em dia, eles fazem o que querem comigo, rsrs. Até conta no facebook alguns deles abriram no mundo real. Mas eu já avisei para eles: se eles começarem a contar spoilers para os leitores, eu mato eles no próximo livro. Eu tenho esse poder, rs.

  1. Algum (ou alguns) dos seus personagens é inspirado em pessoas que você conhece? Se sim, qual é o personagem e por que você o inspirou em determinada pessoa?
Alguns. Para a Caimana, por exemplo, eu me inspirei em uma amiga minha, que é surfista, loira... em suma, ela é igual à Caimana. Depois, percebi que a Caimana era também  um pouco parecida comigo (tirando, é claro, essa parte surfista loira dela, rs).
Foi então que eu comecei a perceber que todos os personagens tinham um pouquinho de mim. A Caimana tinha meu lado moleca, o Índio meu lado estudioso, o Viny meu lado rebelde, e o Capí... bom, o Capí  é meu ideal de pessoa: é a pessoa que eu almejo me tornar. É um caminho difícil, mas eu vou conseguir!

  1. Queria saber mais sobre os pixies. Qual foi a sua ideia ao desenvolver esses personagens tão importantes para a história? Você pode nos explicar também um pouco mais sobre a filosofia dos pixies?
Os Pixies são rebeldes-com-causa. Eles querem mudar o mundo. Só isso.  A ideia dos Pixies surgiu, inicialmente, porque eu achava que o Hugo iria querer se ligar com alunos mais velhos. Ele meio que rejeita alunos da idade dele como sendo infantis demais.
Então, os Pixies nasceram. E nasceram para arrebentar a boca do balão, rs. Eles são aqueles que fazem bagunça, mas é uma bagunça responsável, com o objetivo específico de abrir as mentes dos alunos (e  de alguns professores); de fazê-los pensar. E, para Hugo, eles serão quase como professores. Porque Hugo precisa da séria orientação de alguém. Eles estão lá às vezes para impedir que ele faça alguma besteira.
Os pixies têm um blog, mas eles não atualizam muito. Não têm tempo. Quem quiser, pode ler a introdução, que ficou bacana: http://pixiesnocontrole.wordpress.com/about/
Ou então, pode também bater um papo com eles pelo facebook!

  1. No livro, percebe-se que você conhece bastante sobre a vida dos moradores do morro Dona Marta. Você poderia dizer de onde vem essa ligação com essa comunidade em particular? Ou ela foi escolhida ao acaso?
Durante minha infância e juventude eu vivi em um prédio que ficava bem próximo ao Dona Marta. Então, eu sempre tive um carinho especial por essa comunidade. Quando eu decidi que Hugo seria morador de alguma favela, eu logo pensei nessa. E minha decisão acabou sendo acertada, porque, além da vista belíssima, o Dona Marta é uma continuação do Corcovado, onde se esconde a escola carioca de bruxaria, e isso possibilitou várias cenas de ligação entre os dois locais.

  1. Também percebemos uma grande influência da cultura africana durante o desenrolar da história. Você é devota de algum tipo de religião? Se sim, o quanto isso a influenciou enquanto escrevia a história de Hugo?
Eu sou espírita kardecista, mas eu queria mostrar no livro toda a diversidade brasileira, então eu pesquisei bastante – e continuo pesquisando para os próximos livros. A J.K. Rowling tomou a decisão de não mencionar religião nos livros do Harry Potter. Talvez tenha muito a ver com a experiência inglesa. Mas eu achava que, sendo meu livro no Brasil, tocar nesse tema seria inevitável. O brasileiro praticamente respira religião. Era impossível que os bruxos não fossem afetados por isso. Há bruxos de todas as religiões na minha série. E as religiões de origem africana, principalmente, têm muito de magia, né? Eu não poderia deixá-las de fora.

  1. Ainda dentro da saga de Hugo Escarlate, você já tem planos para as próximas histórias? Pode nos contar um pouco sobre o que elas irão retratar?
Sim sim. Eu já sei praticamente tudo que irá acontecer nos próximos! A série principal será composta por cinco livros, com um livro 6 contando a história do vilão principal (que ainda não apareceu nesse primeiro: ele faz uma pontinha no livro 1, mas não vou dizer onde, rsrs).
Bom, o que eu posso contar do segundo livro...mmmm... Eu posso dizer que o segundo trará temas diferentes, mas Hugo terá de lidar com algumas consequências do que ele fez de errado no primeiro livro. E vocês podem esperar a introdução do vilão principal. Isso é sempre interessante. ;-)


  1. Como escritora, você encontrou dificuldades para publicar a sua história?
É muito difícil publicar livros no Brasil. Mais difícil ainda é publicar um livro quando ninguém te conhece. As editoras não gostam de correr riscos. Preferem apostar em autores internacionais, que já estão fazendo sucesso lá fora, ou autores brasileiros consagrados e famosos. Eu enviei para várias editoras antes de encontrar a Novo Século. Nenhuma delas me respondeu – acho que nem leram, porque o normal é enviarem uma carta de rejeição, e eu não recebi nenhuma. Então, eu enviei para a Novo Século, e eles me responderam em uma semana! Foi fantástico.


  1. Sei que essa pergunta pode ser meio blasé, mas você acha que sua vida mudou depois de ter seu livro publicado? As pessoas te reconhecem na rua e etc.?
Haha. Ainda não me reconhecem na rua não, rsrs. Mas no facebook já! :-D Eu recebo muitas mensagens legais, de fãs entusiasmados perguntando quando o segundo livro vai sair, ou quando vão fazer o filme (sempre perguntam isso! rs)... muitos me escrevem querendo esganar o Hugo... rsrsrs Já recebi vários fanarts de personagens, todos ótimos! É muito bom.


  1. No meio dos blogs literários, existem muitas pessoas que desejam um dia ver suas histórias e contos publicados. Que dicas você daria a alguém que quer ser um(a) futuro(a) escritor(a).
Não desista! Leia muito. Estude os livros que você gosta. E preste muita atenção na personalidade de cada personagem. Eles têm que ganhar vida própria!

  1. Por fim, fale sobre seus projetos futuros. O que você planeja fazer daqui pra frente, profissionalmente falando?
Eu planejo viver de literatura. Sei que é um sonho quase impossível no Brasil, mas não é impossível! Enquanto isso não acontece, eu estudo para me aprimorar cada vez mais; para conhecer cada vez mais o Brasil, o mundo... Já me formei em jornalismo e agora estou fazendo graduação em Ciências Sociais. O curso é fantástico. Eu transporto para meu livro todos os textos que leio no curso. Aliás, essa é outra dica para os futuros escritores: estudem muito sobre todos os assuntos! Tudo que você lê pode gerar uma ideia para seu livro!

Renata, muito obrigado mais uma vez por nos conceder essa entrevista. Todos nós do Caçadora de Livros te desejamos um futuro promissor e muitos livros mais!


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