29 de abr de 2012

#03 Caça Clássicos: Lira dos vinte anos ( Álvares de Azevedo)



Olá Caçadoras e caçadores.
Seguindo a nossa proposta de rodízio o clássico deste mês vem da literatura nacional, mais precisamente do século XIX no auge do ultrarromantismo ou Mal do século. Nosso autor foi o maior expoente desse período, ao qual a literatura brasileira insiste em colocar como a segunda fase do romantismo do Brasil, de qualquer forma Álvares de Azevedo foi aquele tipo de autor que viveu intensamente o período, morreu cedo, tendo suas obras adquirido realmente sucesso postumamente.
Ao lado de Noites na Taverna Lira dos vinte anos é uma das obras mais famosas do Romantismo melancólico e trágico do Mal do Século, portanto vamos a resenha.

Editora Martin Claret
ISBN: 8572323422
224 Páginas
Sinopse: Muito admirado por seus contemporâneos, embora quase nada tenha publicado em vida, sobressaiu-se, sobretudo pelo feitio intimo de seu lirismo, que exerceu notável e prolongada influencia nos poetas brasileiros que lhe sucederam. A lira dos vinte anos é uma obra das suas obras mais célebres. Impregnado de Literatura europeia, que dominou com grande precocidade, e de melancolia e morbidez associadas ao ultrarromantismo, Álvares de Azevedo foi o mais típico poeta brasileiro da escola byroniana que se constituiu em São Paulo em meados do século XIX
Não se enganem quem pensa que Lira dos Vinte anos é uma narrativa linear, na verdade o livro é uma coletânea de poemas dividida em três partes.


Na primeira temos um poeta apaixonado, idealizando o amor e suas dores, sua musa inalcançável e a morte, nesta parte os poemas são quase melodias que encantam e nos fazem suspirar...

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

Já a segunda parte Álvares de Azevedo deixa seu lado sentimentalista e transforma sua lira em poemas irônicos e sarcásticos, ao invés de exaltar as virgens e o amor inatingível ele glorifica o grotesco, o cruel e o macabro. A segunda parte já traz um texto mais difícil aos jovens leitores, ela é recheda de citações a outros poetas e a figuras míticas e históricas, não chega a ser um empecilho, pode até ser motivador descobri quem foi Horácio, Tasso ou Alan Chartier, dentre outros.

Na terceira parte ele retoma o lirismo e o sentimentalismo da primeira e voltamos a suspirar com a melodia amorosa e a exaltação a mulher.

Voltai sonhos de amor e de saudade!
Quero ainda sentir arder-me o sangue,
Os olhos turvos, o meu peito langue...
E morrer de ternura!

Lira dos vinte anos é um bom livro para quem gosta de poemas ultrarromânticos, e é o tipo de leitura que você pode ler devagar, lendo um ou dois poemas diferente por dia.  Gostei muito do modo como a Martin Claret organizou o livro, colocando as informações sobre o autor e a obra logo nas primeiras folhas, é necessário entender o poeta, seu contexto e sua vida para compreender o porquê de sua lírica ser desse jeito, alternando entre a monodia amorosa e a sátira que morde.

Assim sendo a classificação ficou assim:

A capa é 8.0 a cor é linda e o camafeu é algo típico do século XIX, há aquele ar de sentimentalismo, mas o livro não traz apenas isso. A morbidez, a sátira e a bipolaridade entre o medo e amor à morte que é tão presente em toda a obra deveriam de alguma maneira serem expressados na capa.

O conteúdo é 9.0, Trata-se de uma coletânea de poemas e como tal a sempre aqueles que você gosta mais e outros que você se pergunta do porque ele está ali e eu não posso negar que em alguns poemas eu me perguntava que diabos ele tava pensando quando escreveu isso, mas a leitura de poemas é algo intimista e subjetivo pode ser que os poemas dos quais eu não gostei sejam extremamente lindos para outras pessoas (e são mesmo).

A diagramação é 9.0, A Martin Claret acertou bem dessa vez; o tamanho das letras é agradável aos olhos o espaço entre o miolo e texto está ótimo não precisamos mais abrir todo o livro para ler o texto, contudo a divisão por parte está apenas no índice, no inicio da primeira parte há um cabeçalho bem modesto e até sutil, o que é ótimo, pois não tira a atenção do poema de abertura, mas não o mesmo não acontece nas partes subsequentes o leitor desavisado ou que não voltar ao índice pode tomar um susto com a mudança de lírica do autor. Outro ponto que eu pessoalmente não gosto é o exagero no tamanho do número da página, mesmo sombreado ele fica sobre o texto e isso me irrita.


Avisando que retomamos nossa parceria com a editora e no mês que vem farei minha 1° resenha de um livro que me foi enviado. Quero agradecer a Fernanda pelo espaço e a confiança, além do carinho com que sou tratada. E a todos que leem essa coluna um grande muito obrigada também.
Por hoje é só! No mês que vem voltamos com um clássico da literatura internacional de arrepiar aguardem!
Evoeh! E até a próxima!

Nila

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