30 de mar de 2012

#02 Caça Clássicos: Elogio da Loucura (Erasmo de Rotterdam)


Olá caçadores e caçadoras.
Estamos de volta com mais um clássico da literatura e como foi dito anteriormente vamos tentar revezar entre literatura brasileira e mundial, lembrando que continuamos aceitando sugestões.
O Clássico da vez, portanto, vem das longínquas terras da Rainha Elizabeth. “Elogio da Loucura”, de Erasmo de Rotterdam.

Editora Martin Claret
ISBN: 8572324046
136 Páginas
Sinopse:

Desidério Erasmo, conhecido em todo o mundo por Erasmo de Rotterdam, sempre esteve envolvido em polêmicas religiosas.
Erasmo era um dos homens mais eruditos de seu tempo.  Sua obra mais célebre é Elogio da Loucura, escrito na Inglaterra (1509), na casa de Thomas More.
A palavra loucura adquire, na obra de Erasmo, uma dimensão plena de ambiguidades e uma rara elasticidade. Trata-se da loucura como energia criativa das ações humanas.
Elogio da Loucura teve grande ressonância em sua época, e ainda hoje é leitura obrigatória entre acadêmicos e leigos. 


Erasmo de Rotterdam é um daqueles autores que é fruto de seu tempo, envolto do ideal renascentista da época ele leva o leitor a racionalizar o irracional: a Loucura.
Em seu elogio àquela que ele coloca como uma das deusas mais belas, quiçá a mais entre todas, ele desconstrói a ideologia medieval ainda tão comum ao período, munindo-se de diversos atos cotidianos ele satiriza as contradições do ser humano ao colocar a loucura como a musa inspiradora das decisões e atitudes dos homens na terra em todas as épocas.
Para alcançar o que deseja Rotterdam se utiliza dos mitos revisitando e reconstruindo a seu bel prazer, coloca a Loucura como filha de Plutão, mas não um Plutão feio, velho e decrépito, um Plutão jovem, robusto, viril que gerou a Loucura em meio ao prazer, para além dos deuses e seus mitos o autor dialoga com os clássicos Aristóteles, Platão, Sócrates, Sófocles e outros de sua época. O livro é todo escrito em primeira pessoa, na verdade na persona da Loucura é ela mesma quem se elogia, se valendo do provérbio: “Não tens quem te elogie? Elogia-te a ti mesmo”.
Para quem é um leitor experiente e consegue perceber as entrelinhas da narrativa vai se deliciar com os conselhos e as verdades da Loucura e que podem facilmente serem aplicados aos dias de hoje.
Mas cuidado aos mais fundamentalistas! Rotterdam era um humanista, viveu em uma época que contrariar a igreja era sinônimo de coragem e certeza de suas ideologias, digo isso, pois o autor se utiliza de citações da bíblia e coloca exemplos de Jesus e São Paulo para provar a loucura de todos os homens e o modo como o faz pode desagradar a alguns (desagradou muitos em sua época). O jeito como ele se refere às mulheres também não é muito do meu agrado, mas como falado anteriormente, ele é fruto de seu tempo.
No mais o livro é delicioso, evidentemente havia muito mais a se falar sobre ele, mas eu encerro por aqui com as sentenças finais da própria Loucura:

1º.   Eu jamais desejaria beber com um homem que se lembrasse de tudo.
2º.   Odeio o ouvinte de memória fiel demais.
E, por isso, sede saudáveis, senti o sabor da alegria, vivei, bebei, ilustres iniciados nos mistérios da loucura.

Assim sendo a classificação ficou assim:

A capa é 08 apesar de ser bonita ela não traduz muito bem o texto, os elementos aleatórios lembram-me muito mais a maçonaria e sociedades secretas que a sátira dúbia e o endeusamento da Loucura Humana, que Rotterdam faz.
O conteúdo é 9.5, o texto é ácido e irônico e isso muito me agrada, a tradução apesar de simplificar a obra não caiu no erro de “popularizar demais”, porém as muitas notas de rodapés, apesar de necessárias, dispersam a leitura.
A diagramação é 8.5, as letras são pequeninas e o espaçamento entre linhas é muito estreito, novamente o formato “de bolso” (apesar de ser mais fácil de carregar) nos obriga a abrir muito o livro para que possamos ler as letras que ficam próximas à margem;

Excelente Caçada!

Por hoje é só nos mês que vem voltamos com um clássico da literatura nacional. E para quem lembra:

Evoeh! E até a próxima! 




4 comentários:

Pollyanna disse...

Não conhecia, mais me despertou curiosidade! Gostei da resenha.
Beijos

http://pollymomentos.blogspot.com.br/

Adriana Balreira disse...

Não conhecia esse livro. Adorei sua resenha. Deu vontade de comprar já! Adoro escritores com ironia ácida.
beijos
Adriana

Nana disse...

Gostei do nome do livro
HAHAHAHAHAAHAHA sério rindo aqui com: Jamais gostaria de beber com um homem que lembrasse de tudo.. Realmente!

O livro parece divertido, e ácido? Adoro!

Parabéns pela coluna

beijos e um excelente final de semana pra você
Nana - Obsession Valley

Sweet-Lemmon disse...

Este é realmente um livro muito bom. Não é um favorito meu (li há muitos anos atrás) mas faz pensar. Um clássico!

Bjos!

Thaís
@sweet_lemmon
http://umaconversasobrelivros.blogspot.com.br/

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